Tommy Eoin Hughes Belfast

Detentores do recorde mundial da Maratona para Pai e Filho, segundo o Guiness World of Records, os norte-irlandeses Tommy e Eoin Hughes estão na origem de um estudo científico, que procura apurar o peso da genética nos bons resultados desportivos.

Tommy e Eoin Hughes inscreveram o seu nome no Livro Mundial dos Recordes do Guiness ao terminar a última Maratona de Frankfurt, em outubro, com o tempo conjunto de 4h59m22 (pai, de 59 anos, 2h27m52; filho, de 34 anos, 2h31m20), tempo que lhes permitiram retirar 2m50 à anterior melhor marca, fixada na Maratona de Londres de 2014 por Graham e Ben Green, de Warrington.

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Entretanto, um estudo recente, realizado com base na sua prestação em Frankfurt e publicado no Journal of Applied Physiology, veio revelar alguns dados interessantes sobre o tema do peso dos genes, ambiente e treino que atletas como Tommy e Eoin conseguem alcançar na Maratona. Não deixando, também, de concluir que o caminho feito por um atleta na obtenção de um bom tempo pode ser bem diferente do realizado por outro, mesmo quando se trata, como é o caso, de pai e filho.

O início

Este estudo começou, no entanto, muito antes da prestação de ambos em Frankfurt, mais precisamente após a obtenção, pelo pai Tommy, do recorde do mundo na sua faixa etária na Maratona de Roterdão, em abril de 2019, prova em que o irlandês fez o tempo de 2h30m15.

Na altura, os investigadores terão ficado surpreendidos com a elevada capacidade aeróbica deste homem de 59 anos, que tinha estado 16 sem correr. Isto apesar de terem conhecimento de que Tommy havia representado a Irlanda na Maratona dos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992, prova em que terminou no 72.º lugar com o tempo de 2h32m55. Ou seja, apenas cinco minutos menos que o tempo feito em Frankfurt.

Tommy Hughes

No entanto, quando voltou a correr, depois da longa paragem, Tommy estreou-se na Maratona de Belfast e, mesmo com pouco treino, terminou em sexto. Sendo que, a partir daí, rapidamente passou a fazer cerca de 100 milhas (qualquer coisa como 160 km) por semana, correndo duas vezes por dia, e utilizando as provas de 5 km e 10 km para fazer trabalho de velocidade.

A oportunidade

Durante os testes com os investigadores, Tommy terá deixado escapar que estava a pensar atacar, juntamente com o filho Eion, o recorde do Guiness de Pai e Filho com o melhor tempo conjunto na Maratona, algo que os cientistas viram como uma excelente oportunidade para realizar um exercício de comparação e contraste envolvendo as semelhanças e diferenças fisiológicas entre os dois corredores.

Igualmente observado em laboratório, os cientistas descobriram, desde logo, que Eoin tinha uma capacidade aeróbica máxima muito semelhante à do pai.

Contudo, uma vez cumprida a Maratona de Frankfurt com sucesso, as análises feitas na sequência desta prova resultaram diferentes entre os dois, com Tommy a terminar com um tempo quase 4 minutos melhor que o do filho, além de um pace médio muito mais estável ao longo de toda a prova. Fez ainda toda a prova a 90% da sua capacidade máxima, enquanto o filho foi sempre muito oscilante ao longo de toda a corrida, o que fez com que, em certas altura, tenha sido obrigado a esforçar-se mais.

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As conclusões

Assim, os cientistas terão chegado à conclusão de que, e em primeiro lugar, existem várias formas de abordagem ao treino, ainda que a realização de treinos frequentes e muito longos, como os de Tommy, intercalados com corridas mais curtas e rápidas, poderão resultar na obtenção de bons resultados.

No entanto, o estudo também demonstrou que, caso desejemos que os nossos descendentes alcancem resultados desportivos de referência, é bom que escolhemos cuidadosamente os pais. Eoin Hughes, sem dúvida, tirou vantagem disso mesmo…

FOTO: Belfast City Marathon Twitter