Exemplo de determinação, o norte-americano Jim Kirkham, de 69 anos, viu ser-lhe diagnosticado uma doença rara no sangue, de nome Anemia Aplásica, que afeta todos os elementos sanguíneos: glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas. Ainda assim, e contra todas as recomendações médicas, Kirkham vai estar à partida, este fim-de-semana e mais uma vez, para mais uma edição da Grandma’s Marathon.

Apaixonado pela corrida, Jim Kirkham, residente em Minneapolis, EUA, é um dos corredores amadores que participa na Grandma’s Marathon, prova realizada em Duluth, no Minnesota, desde que esta foi criada, em 1977.

Depois de ter conseguido terminar essa primeira edição com o tempo de 4h02, a participação de Jim nesta Maratona tornou-se quase uma obrigação e tradição. Até que, já em 2006, o norte-americano teve a notícia que ninguém deseja: foi-lhe diagnosticado uma doença rara no sangue, chamada Anemia Aplásica, cujos principais sintomas são a fadtiga, fraqueza, palidez, tontura, taquicardia e falta de ar no exercício.

No caso de Jim Kirkham, a supressão da Anemia Aplásica exigia transplante de medula óssea, sendo que, enquanto tal não acontecesse, o norte-americano deveria abster-se de realizar esforços físicos.

No entanto, e apesar de todas as recomendações médicas, Jim não quis saber e, chegada a altura de mais uma edição da Grandma’s Marathon, ele lá estava à partida. E, saliente-se, para terminar!

«Lembro-me que, quando já estava perto da linha de meta, liguei para a minha esposa e filhos para que fossem ter comigo à chegada. Sendo que, durante a corrida, despejava uma garrafa de água a cada quilómetro», recorda em declarações ao canal de televisão KBJR.

Nem o transplante o impediu de correr

Entretanto, já em julho de 2020, foi encontrado um doador de medula óssea compatível com Jim Kirkham e este foi agendado para o transplante. Ainda assim, e mesmo com a hospitalização, o norte-americano já garantiu que, este fim-de-semana, data em que se realizará mais uma edição da prova, ele lá estará à partida!

Ainda no hospital, Jim recorda que «comprei, inclusivamente, uma passadeira para colocar no meu quarto onde ainda tentei correr um pouco, mas, simplesmente, não tinha muito sangue».

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Já o médico que o tem acompanhado ao longo destes últimos 15 anos defende que Jim Kirkham tem sido, com a sua doença rara, um exemplo e uma inspiração.

«Ver alguém correr uma Maratona, menos de um ano após um transplante alogénico de um doador não relacionado, é algo de notável, até mesmo para mim», afirma o Dr. Jeff Miller. «Estou muito feliz, Jim é uma inspiração para todos nós que trabalhamos com ele.»

«Sempre acreditei que iria dar tudo certo», comenta Kirkham. «Acho que ajuda ter uma atitude positiva. Tal como acredito que ajuda se continuarmos a fazer exercício, seja ele qual for. Aliás, se andarmos a empurrar um andador, isso também é exercício.»