No último ano, a Maratona viveu um dos seus períodos áureos na história. Em 2018, Eliud Kipchoge alcançou o recorde do mundo na distância, em Berlim. Este ano, também na capital alemã, Kenenisa Bekele não igualou o registo masculino por 2 segundos. No sábado, o mesmo Kipchoge correu os 42,195 km em menos de 2h00, embora não oficialmente, em Viena. No domingo, Brigid Kosgei registou um novo recorde do mundo, sendo a primeira mulher a correr em menos de 2h15. Um ano para recordar para sempre…

Nos últimos 13 meses, e oficialmente, os melhores resultados na Maratona no masculino foram os seguintes:

  • 2h01m39: Eliud Kipchoge (Quénia), setembro de 2018, Berlim
  • 2h01m41: Kenenisa Bekele (Etiópia), setembro de 2019, Berlim
  • 2h02m37: Eliud Kipchoge (Quénia), abril de 2019, Londres
  • 2h02m48: Birhanu Legese (Etiópia), setembro de 2019, Berlim
  • 2h02m55: Mosinet Geremew (Etiópia), abril de 2019, Londres

Estes cinco resultados são os melhores cinco registos de todos os tempos. O sexto, na posse do queniano Dennis Kimetto, por exemplo, foi alcançado na Maratona de Berlim, mas em 2014, concretamente 2h02m57.

A caricatura de Paulo Costa

Ou seja, não há dúvidas de que vivemos o melhor período da história da distância, com tempos absolutamente inimagináveis há pouco tempo.

Tudo começou precisamente com aquele que, teoricamente, fechou este novo e ímpar ciclo, Eliud Kipchoge, em setembro de 2018. Após ter falhado o seu objetivo em 2017 de correr a Maratona em menos de 2h00 com o projeto Breaking 2 (por 25 segundos), o queniano apresentou-se em Berlim e retirou cerca de 1m20 ao registo mundial de Kimetto, que já durava quatro anos. Kimetto que, na ocasião, foi o primeiro homem a correr a Maratona em menos de 2h02.

Pouco depois, em abril de 2019, na Maratona de Londres, tivemos mais um homem a correr a distância em menos de 2h02, numa prova onde Kipchoge teve de puxar pelos seus galões, caso contrário perderia a Maratona em solo britânico, algo que apenas aconteceu uma vez na sua carreira em 11 provas (segundo colocado na Maratona de Berlim em 2013, com o tempo de 2h04m05, atrás do compatriota Wilson Kipsang, com 2h03m23, novo recorde do mundo na ocasião). No final, um triunfo com uma vantagem de apenas 18 segundos sobre Mosinet Geremew.

Setembro é o mês de Maratona de Berlim e, como tal, tudo pode acontecer. E foi o que aconteceu mais uma vez este ano… Contra todas as expetativas, Kenenisa Bekele renasceu das cinzas e realizou uma prova estratosférica, falhando o registo mundial por 3 segundos (2 para igualar o recorde).

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Certamente que, no Quénia, a se preparar para a corrida de ontem, Kipchoge respirou aliviado, já que falhou a edição deste ano devido ao projeto INEOS 1:59, que tinha como objetivo correr a Maratona em menos de 2h00, algo ambicionado pelo Homem há muitas décadas, algo que os cientistas apontavam que poderia acontecer daqui a 20, 30 anos.

No entanto, Kipchoge mostrou que, como o próprio referiu no final, «não há limites para o Homem», mesmo que a Ciência assim contrarie. No sábado, em Viena, o queniano correu os 42,195 km da Maratona eem 1h59m40 (com parciais realmente de loucos) e colocou de vez um ponto final de um ano absolutamente espantoso para o Atletismo mundial.

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Quando todos pensavam que a “loucura” na Maratona terminaria no sábado, eis que, no domingo, e novamente contra todas as expetativas, Brigid Kosgei melhorou a sua marca pessoa em cerca de 4m00, registando ainda um novo recorde do mundo na distância.

A queniana foi a primeira mulher a correr a distância em menos de 2h15, concretamente 2h14m04, na Maratona de Chicago. O que espanta nesta marca, além da marca em si, são os quatro minutos que Kosgei melhorou ao seu tempo, algo realmente fabuloso em termos de perfomance. Recorde-se que o seu melhor registo pessoal era de 2h18m20, alcançado este ano, em Londres.

Apenas mais um dado para comprovar que a “loucura” está definitivamente instaurada na Maratona. Agora é esperar até quando…

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