O Atletismo Master Português revelou, através da sua página do Facebook, a morte de Francisco Vicente, uma autêntica lenda do nosso desporto, o mais medalhado atleta master português de sempre.

«Uma notícia muito triste….. Faleceu esta noite no Lar do Barro (Torres Vedras), em que estava internado há cerca de um ano, de causas naturais, o mais medalhado atleta master português de sempre.
Francisco Vicente tinha 87 anos, conquistou 81 medalhas em Campeonatos do Mundo, Campeonatos da Europa e World Master Games e foi recordista mundial de 2000m obstáculos», escreveu o Atletismo Master Português na sua página do Facebook, com a entidade a destacar que Francisco Vicente ainda é o atual recordista europeu de 10000m M65 (36m32s64) e 2000m obstáculos M65 (7m25s19) e M70 (8m00s83).

Faleceu Francisco VicenteUma notícia muito triste….. faleceu esta noite, no Lar do Barro (Torres Vedras) em que estava…

Publicado por Atletismo Master Português em Terça-feira, 24 de março de 2020

«Comecei a correr com 52 anos, em Famões, Odivelas. Havia lá três gajos que não me conheciam, já estavam a fazer contas a ver quem ficava em que lugar. Eram 14 quilómetros, ir e vir pelo mesmo sítio, e quando nos cruzámos, os dois que iam ficar em segundo e terceiro brincaram comigo a dizer que eu ia à-vontade. Mas eu já vinha de regresso. Quando acabou, estavam lá a um canto e um dos diretores vem ter comigo a avisar-me que estavam a dizer que eu tinha feito batota. Ninguém me conhecia. Eu fui lá e disse: “Se têm dúvidas, vamos já fazê-la outra vez. Ficaram a conhecer-me», afirmou Francisco Vicente ao jornal Expresso em 2014, poucos dias depois do seu regresso dos Campeonatos Europeus de Veteranos, que foi realizado na Turquia, onde conquistou a sua 81.ª medalha.

«A rotina de Francisco Vicente não tem grandes segredos. Acorda cedo, nunca depois das sete, come pão com manteiga e café com leite, entra no carro, conduz até ao café e lê o jornal desportivo. Depois vai correr. “Depois treino. A seguir vou buscar o pão, porque a mulher vê mal. Tenho de fazer tudo: varrer a casa, tudo. Ao almoço é sempre batatas com bacalhau – é bem bom. Todos os dias. Chego a casa e tenho uma posta de bacalhau num alguidarzinho. Não gosto de descascar as batatas, ficam mais saborosas”. Queima-se a tirar-lhes a casca à mão, todos os dias, mas diz que sabem bem melhor. “Acabo de almoçar e venho outra vez para baixo, beber a bica e ler jornal do dia. Às duas e meia ou três da tarde, vou ver televisão até às nove e vou dormir, todos os dias”.
Na manhã seguinte acorda e vai correr outra vez. Nunca menos do que cinco quilómetros por dia. “E agora é pouco”».

Mas “pouco” não foi, certamente, a sua carreira, muito pelo contrário…