Exemplo de tenacidade e determinação, uma criança de apenas 11 anos, autista, decidiu correr a sua própria Maratona como forma de angariar fundos para organização de beneficência, responsável por ajudar pessoas que também sofrem de autismo.

Natural de Kilkeel, na Irlanda do Norte, Daniel Shields é uma criança que sofre de autismo severo e com dificuldades de aprendizagem, motivos que não o impedem de perceber as dificuldades por qual passam os doentes autistas na sequência da pandemia de coronavírus.

Desta forma, decidiu ajudar correndo a sua própria Maratona, da qual já fez, inclusivamente e em cerca de quatro dias, 20,6 milhas, pouco mais de 33 quilómetros. Entretanto, as 888 libras já amealhadas por Daniel serão entregues, tal como os restantes fundos, à organização Run For Autism H.A.N.D., sedeada em Newry, na Irlanda do Norte.

O apoio da família

Por outro lado e apesar de cumprir as regras do distanciamento social, esta criança autista não corre a sua Maratona sozinho, mas conta com o apoio do irmão mais velho, de 13 anos, Michael, e dos pais, Bernarde e Michael Shields.

«O exercício é muito importante para nós, como família, não apenas por uma questão de saúde mental, mas também com o objectivo de apanhar ar fresco», comenta o pai de Daniel, recordando o quanto a criança gosta do contato com a Natureza: «Basta dizermos-lhe “Vamos subir a montanha” e ele coloca-se de imediato à porta, à espera que o levemos para o carro.»

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Ainda com cinco anos e apesar de ter então um braço partido, Daniel subiu, pela primeira vez, à mais alta montanha da Irlanda do Norte, Slieve Donard.

De resto, tanto Michael, que tem como profissão dirctor de vendas, como Bernarde, que trabalha numa empresa de catering, adoram correr nos tempos livres, facto que também terá contribuído para que os pais quisessem mostrar ao mundo, através da realização do filho, que as crianças com autismo também «conseguem atingir o nível de excelência em várias áreas».

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Aliás, e quanto ao isolamento que hoje em dia se impõe devido à pandemia de coronavírus, Michael recorda que, «no caso das famílias com necessidades especiais, acabam sendo, muitas vezes, isoladas o ano inteiro».

Quanto a Daniel, a expetativa é que consiga terminar a sua Maratona, completando as 5,6 milhas (cerca de 9 km) que faltam, nos próximos dias.