COI Bandeira

Numa altura em que, nos EUA, a questão racial volta a mostrar uma sociedade muito dividida, o Comité Olímpico Internacional (COI) decidiu proibir quaisquer manifestações ou tomadas de posição contra o racismo da parte dos atletas durante os próximos Jogos Olímpicos de Tóquio, entretanto adiados para 2021.

Analisados os últimos acontecimentos raciais que tiveram lugar nos Estados Unidos da América, e que rapidamente tiveram eco noutros países, o Comité Olímpico Internacional decidiu proibir, durante os próximos Jogos Olímpicos em Tóquio, quaisquer manifestações da parte dos atletas contra o racismo.

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Entre as possíveis manifestações estão, por exemplo, o ajoelhar, num movimento que procura imitar o gesto feito pelo agente da polícia de Minneapolis, que despoletou toda a recente onda de manifestações anti-racismo e que, ao colocar um joelho sobre o pescoço de George  Floyd, acabou por provocar a sua morte por asfixia.

Igualmente proibidas pelo COI foram manifestações como as ocorridas nos Jogos Olímpicos de 1968, em que os atletas norte-americanos negros que subiram ao pódio decidiram assinalar o toque do hino dos EUA de braço levantado e punho fechado, tendo a mão vestida com uma luva preta. Manifestação que, já então, procurava alertar o Mundo para a questão racial e dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos.

Jogos Olímpicos México 1968

Assumindo claramente que as manifestações sócio-políticas não são algo que o organismo queira ver numa edição dos Jogos Olímpicos, o Comité Executivo prometeu ações disciplinares contra todos os atletas que decidam interferir com a normal realização das cerimónias de entrega da medalhas, garantindo, igualmente, que todas as situações possíveis serão analisadas caso a caso, com a certeza de que todas as diretrizes já conhecidas mantêm-se em vigor, já para os Jogos de Tóquio.

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Recorde-se que esta não é a primeira vez que o COI tenta manter o evento máximo do Olimpismo à parte daquilo que são os movimentos das sociedades. O mesmo se passou, por exemplo, nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, quando a atleta Feyisa Lilesa decidiu alertar o Mundo com um gesto de mãos agrilhoadas para o sofrimento do seu povo, a etnia Oromo, na Etiópia.