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O exercício físico intenso sem o devido cuidado e acompanhamento proporciona diversos riscos. Na fisiologia feminina, pode provocar distúrbios alimentares (anorexia e bulimia), disfunção menstrual (amenorreia ou oligomenorreia) e osteoporose. O conjunto destes três sintomas compõe a conhecida síndrome Tríade da Mulher Atleta (TMA), esclarece Raquel Pinto neste texto.

 

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• Prevenção
Para a eficaz prevenção da TMA, o conhecimento dos processos, sintomas e manifestações da síndrome funcionam como um ponto fulcral. Cada corredora deve estar bem atenta ao seu corpo e, além de escutá-lo, deve dar atenção a possíveis alterações que este possa apresentar.

As corredoras deverão estar informadas acerca das alterações ao nível da ginecologia endócrina decorrentes do exercício físico extremo para que possam procurar assistência médica especializada e receber o apoio e tratamento respetivo. Com esta dinâmica, a corredora poderá manter sua atividade física e treinar sem prejudicar a saúde nem a sua performance desportiva.

Em acréscimo, a atenção de outros profissionais de saúde e do desporto que possam fazer parte das equipas desportivas (clubes, ginásios, escolas, etc.) ou estar relacionados com a corredora é também um ponto fundamental para a prevenção e deteção precoce. Será necessário, por parte destes profissionais, uma observação constante e uma rápida intervenção na ocorrência de possíveis manifestações de sintomas da síndrome TMA. Torna-se importante ressaltar que a importância da compreensão e acompanhamento desta síndrome por parte destes profissionais é de extrema importância para que a corredora não tenha medo da exclusão de treinos ou até mesmo da equipa onde atua. Este fator, por vezes, leva a que a corredora omita informações importantes da equipa médica, com graves consequências futuras para a sua saúde.

• Diagnóstico
Para o diagnóstico de TMA é importante que a anamnese contemple a investigação dos antecedentes menstruais, hábitos alimentares, uso de medicação e os fatores hereditários.

O exame físico deve avaliar os carateres sexuais secundários, bem como a avaliação da composição corporal e da densidade mineral óssea.

Exames biológicos a determinadas hormonas (beta-HCG, TSH, FSH, LH, prolactina, testosterona e SDHEA) poderão fornecer informações da causa da amenorreia e fazer o diagnóstico diferencial com outras síndromes em que distúrbios semelhantes poderão ocorrer.

• Tratamento
O tratamento da TMA requer uma equipa multidisciplinar composta por médicos, nutricionistas, psicólogos, psiquiatras e técnicos de exercícios físico. O principal objetivo é restaurar o equilíbrio hormonal da corredora.

A primeira intervenção será baseada no controlo do gasto energético. A atividade física da corredora deverá ser reduzida entre 10 a 20% do volume/intensidade/frequência. O ganho de peso deve ser adquirido com dietas que ofereçam acima de 2500 calorias. Geralmente, estas duas medidas interventivas são suficientes para restabelecer a disfunção menstrual.

Em casos em que o restabelecimento não ocorra é necessário no entanto recorrer à reposição hormonal. A administração de cálcio e vitamina D evitam a perda de massa óssea. A reposição de estrogénios ou o uso de contracetivos orais hormonais com altas taxas de estrogénio aumentam de forma significativa a massa óssea destas atletas.