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A Tríade da Mulher Atleta (TMA), definida como sendo a presença de anorexia, amenorreia e osteoporose, torna-se o ponto principal para iniciar a temática da Saúde da Mulher Corredora. Este fenómeno, regra geral, é decorrente da Síndrome de Overtraining (leia aqui sobre o tema), esclarece Raquel Costa.

 

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Mais especificamente, a TMA inclui qualquer comportamento alimentar inadequado, amenorreia ou oligomenorreia, osteopenia ou osteoporose. A sua incidência envolve até 66% das atletas e a sua prevalência depende da modalidade desportiva, da intensidade e da duração dos treinos e do estado nutricional da atleta, sendo maior naquelas com menos de 50 kg.
As atletas mais suspetiveis a desenvolver TMA são as ginastas e as corredoras de longa distância, pois geralmente são obcecadas pela magreza e cobradas pelos treinadores e patrocinadores.

Distúrbios alimentares

A primeira manifestação da TMA, na maioria dos casos, encontra-se associada aos maus hábitos alimentares, geralmente com o objetivo de atingir o peso idealizado. Os distúrbios alimentares que podemos encontrar nestes casos são a anorexia e bulimia, comumente conhecidos pelos graves problemas que causa na saúde, que podem até ser mortais.

Estes distúrbios alimentares terão como consequências o comprometimento do sistema reprodutor – baixa a concentração de hormonas e causa disfunção menstrual, como a amenorreia ou oligomenorreia, sintomas descritos da TMA.

Disfunção menstrual

A disfunção menstrual, como a amenorreia ou oligomenorreia, é outro sintoma que compõe a TMA. A ocorrência da disfunção menstrual está associada à perda de peso e ao volume de treino intenso. Estima-se que 50% das corredoras de competição e 20% de corredores de recreação sofram de disfunção menstrual.

A amenorreia da mulher atleta é um fenómeno de causa hormonal. A secreção da hormona hipotalâmica (segregada pelo hipotálamo) que promove a liberação das hormonas estimuladoras dos ovários está alterada, o que resulta na produção diminuída dos estrogénios e progesterona (hormonas responsáveis pela regulação dos ciclos menstruais femininos).

Devido à redução na secreção de estrogénios, ocorre um aumento da taxa de reabsorção óssea, sendo a consequência provável o desenvolvimento de osteoporose prematura, outro sintoma descrita da TMA.

Osteoporose

A osteoporose é uma doença óssea generalizada a todo o esqueleto. É caracterizada por uma reduzida densidade mineral óssea e por alterações da microarquitectura e da resistência óssea que causam aumento da fragilidade óssea e, consequentemente, aumento do risco de fraturas.

Esta doença ocasiona que as corredoras, a curto prazo, apresentem altos índices de lesões, decorrentes do comprometimento estrutural do osso bem como pela redução da densidade mineral óssea (particularmente fraturas de stress). A longo prazo, a osteoporose faz com que as corredoras desenvolvam um risco aumentado de fraturas ósseas, com elevados prejuízos físicos e consequências potencialmente graves, mesmo em idades jovens.

Em síntese, uma alteração na ingestão alimentar, com insuficiente ingestão calórica, pode ser o ponto de partida para a TMA.

Após a exposição da definição, caraterísticas e composição da Tríade da Mulher Atleta, no próximo artigo serão abordadas principais formas de prevenção e de tratamento da TMA.