Todos nós já o sentimos: realizado um treino mais longo, não só nos sentimos mais cansados, como parece que perdemos o apetite. Faz ideia porque é que isso acontece?

A explicação poderá estar num estudo levado a cabo pela Universidade de Copenhaga, na Dinamarca, o qual se centrou no efeito da hormona GDF15, que o nosso organismo liberta de forma natural após um esforço mais prolongado ou intenso. A hormona, presume-se, acaba por afetar não só o apetite, como até mesmo a motivação para fazer exercício.

Apesar da reação lógica que seria para qualquer atleta de ultramaratona terminar uma prova esfomeado devido ao grande consumo energético feito com o esforço, a verdade é que tal não acontece, motivo pelo qual os investigadores da Universidade de Copenhaga têm vindo a estudar o papel da hormona GDF15, cuja ação continua a ser até hoje algo desconhecida no metabolismo energético.

LEIA TAMBÉM
Sente-se cansado? Recordamos-lhe cinco coisas que podem estar a roubar-lhe a energia!

Entre as abordagens realizadas, surge a análise do seu potencial para transformação num medicamento – metformina -, destinado a reduzir o apetite e o peso corporal.

As experiências já feitas em ratos de laboratório e primatas demonstram, contudo, efeitos secundários os quais passam pelas náuseas e vómitos, além de contribuir para uma redução da motivação para fazer exercício físico.

Maratona de Xangai 2019
Um treino longo ou uma Maratona podem interferir com o apetite

Contudo, e segundo já descobriram os investigadores dinamarqueses, a realização de exercício físico de alta intensidade por mais de 2 horas aumenta a quantidade da hormona GDF15, em estado natural, a circular no organismo humano e dos ratos em 4 a 5 vezes, não afetando, contudo, a ingestão de alimentos ou até mesmo a diminuição da motivação para o exercício, precisamente ao contrário do que parece acontecer com a ingestão da GDF15.

Infelizmente ainda não se sabe na plenitude a ação desta hormona no seu estado natural, nomeadamente quanto à regulação do apetite e da motivação para o exercício. Embora, com este estudo, os investigadores suspeitem que a GDF15 possa ser uma espécie de gatilho para que o organismo se proteja do stress físico e metabólico que vulgarmente ocorre quando, por exemplo, submetemos o corpo a uma ultramaratona.