Numa altura em que as marcas de material desportivo parecem querer render-se à tecnologia baseada na aplicação de placas de carbono nos ténis, um estudo divulgado recentemente vem demonstrar que esta solução é mais eficiente quando utilizada por mulheres corredoras do que por corredores homens.

A investigação abordou diferentes corridas realizadas no âmbito das World Marathon Majors com o intuito de demonstrar os efeitos da placa de carbono nos ténis quando comparado com o calçado utilizado antes do aparecimento desta tecnologia.

Entre os investigadores responsáveis por este estudo estiveram nomes como Andy Jones e Michael Joyner, dois dos fisiologistas norte-americanos mais importantes da atualidade, os quais contaram ainda com o apoio de Sandra Hunter, esta última diretora do Athletic and Human Performance Research Center da Universidade Marquette. Tivemos ainda uma especialista em fisiologia do desporto e na incidência do sexo e da idade no rendimento.

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Com o objetivo de levar a cabo este estudo, os três investigadores utilizaram como base os resultados dos 50 melhores corredores e corredoras participantes nas maratonas de Londres, Chicago, Boston e Nova Iorque entre 2010 e 2019. Precisamente, o ano em que foram lançadas as Nike Vaporfly Next%.

Antes e depois de 2019

Mesmo com a não-realização de algumas provas, como foi o caso da Maratona de Nova Iorque de 2012 cancelada devido ao furação Sandy, os investigadores conseguiram reunir dados de um total de 3886 corredores para chegarem à conclusão que, até 2019, e mesmo sem sapatilhas com placa de carbono, estes corredores conseguiram manter um rendimento equilibrado, com os 50 melhores homens a registarem um tempo médio na Maratona de 2h21m18, ao passo que as 50 melhores mulheres tinham um tempo médio de 2h43m24.

Contudo, em 2019, precisamente o ano em que a Nike lançou as Vaporfly Next%, tudo parece mudar, com o tempo médio a baixar nos homens para as 2h18m30, enquanto entre as mulheres a queda foi para 2h39m06. Dito de outra forma, os homens melhoraram 2% e as mulheres 2,6%.

Eliud Kipchoge Nike
As Nike Vaporfly nas mãos de um dos seus principais embaixadores: Eliud Kipchoge

Segundo este mesmo estudo, dos 239 corredores que completaram a mesma Maratona em 2018 e 2019, dos quais 101 eram mulheres, as diferenças entre a corrida em que usaram calçado sem fibra de carbono e a seguinte, em que já dispunham de ténis com esta tecnologia, foram por demais evidentes. Com os homens a conseguirem correr 1m12 mais rápidos, ao passo que a melhoria nas mulheres foi ainda maior: 3m42. Ou seja, 0,8% nos homens e 1,6% nas mulheres.

Porque é que as mulheres retiram mais vantagens que os homens do carbono?

Shalaya Kipp, especialista tem Fisiologia na Universidade de Columbia (Estados Unidos) e atleta olímpica nos 3.000 m obstáculos em Londres 2021, aponta ainda outra curiosidade: não foram apenas os atletas mais rápidos que vieram a beneficiar com a tecnologia de fibra de carbono, mas também os mais lentos, que acabaram por registar melhorias ao encontrarem uma menor resistência ao ar.

No entender desta especialista, isto explica por que as mulheres, que geralmente correm a velocidades mais lentas (cerca de 10% menos), conseguem retirar maiores vantagens da utilização da fibra de carbono, não tendo a ver propriamente com o sexo, mas em função da velocidade média do atleta.

As Hoka One One Carbon X

As investigações confirmam ainda uma certa melhoria no rendimento dos corredores que utilizam ténis com placa de carbono, com a grande maioria dos estudos a defenderem que este aumento da velocidade pode variar entre os 1 e 2,5%. Sendo que, a contribuir para as diferenças entre atletas com o mesmo tipo de ténis, surgem as características individuais e a passada larga.

Porque razão somos mais rápidos com sapatilhas com placa de carbono?

Segundo uma investigação recente, existem três razões principais que explicam o motivo por que os corredores equipados com os mais recentes modelos de sapatilhas, conseguem ser mais rápidos.

Em primeiro lugar, a utilização de placas em fibra de carbono; em segundo, uma sola intermédia mais leve e com maior capacidade de resposta; e, em terceiro lugar, solas intermédias também mais grossas.