Em maio de 2017, Ruben Costa calçou pela primeira vez uns ténis da marca americana Saucony. Foi o seu primeiro teste para o Corredores Anónimos, concretaente o modelo Kinvara 8. Passados quase três anos, depois de ter calçado e testado outros modelos Saucony e de estar a treinar com o modelo Kinvara 10, surge agora a oportunidade de testar o Kinvara 11.

Ao retirar os ténis da caixa gostei de imediato da bonita combinação da cor azul na sua totalidade com o branco na zona do calcanhar/tornozelo. No geral, gostei do design do Kinvara 11. A leveza deste modelo permanece igual. Notei de imediato muitas diferenças face ao modelo 8 mas semelhanças ao modelo 10.

O drop mantêm-se nos 4mm, igual aos modelos anteriores, algo que pessoalmente me agrada nos ténis de corrida. É um modelo neutro e principalmente para correr na estrada. Calcei o tamanho 44,5 e na minha balança de cozinha deu-me um peso de cerca de 230gr.

Em termos de tecido, reparei que a malha que envolve toda a estrutura dos ténis é leve e de construção simples. Não tem camadas excessivas de tecido, tornando assim toda a estrutura uniforme e equilibrada e ajudando igualmente ao reduzido peso deste modelo. Neste ponto, o tecido assemelha-se ao modelo 10 e afasta-se do modelo 8. Em termos de respiração dá a ideia de ser um modelo que poderá aquecer um pouco, ao contrário do Kinvara 8. Usa a tecnologia FORMFit, já usada em anteriores modelos Saucony, que possibilita um bom ajuste e conforto do pé. Comparando com o modelo 10, a zona do tornozelo é mais elevada e mais acolchoada.

Ao nível da sola, é muito igual, diria mesmo que é uma cópia do Kinvara 10. Tem duas zonas com borracha localizada estrategicamente na zona do calcanhar e da planta do pé, como no modelo 10. Aqui, a novidade é o fato do material da sola estar bastante exposto, podendo ser algo negativo porque pode ter tendência a sofrer de desgaste rápido. Mas isso, só dá para confirmar daqui a uns bons quilómetros.

O Saucony Kinvara 11 e o Kinvara 10
O Saucony Kinvara 11 e o Kinvara 10

Na meia sola, aqui sim, há diferenças e uma evolução. A Saucony abandona a tecnologia em termos de material de amortecimento Everrun e introduz nestes Kinvara 11 o chamado PWRRUN (PowerRun). Honestamente parece ser apenas uma mudança em termos de nome porque aparentemente a leveza deste material, a forma como responde em termos de amortecimento e a rapidez no retorno da energia durante a corrida, irá se manter. Mas vamos lá testa-los na estrada…

A correr com o Saucony Kinvara 11

Ao calçar nos pés senti de imediato que a tecnologia FORMFit não é apenas teórica. Nota-se claramente que os pés ficam bem ajustados e seguros dentro dos ténis, e que qualquer que seja o ângulo com que pisamos o solo, o conformo é total. Esse conforto é também garantido não só porque a língua dos ténis é muito almofadada, a estrutura dos atacadores apertam perfeitamente os pés e também pelo contorno do tornozelo / tendão de Aquiles ser bastante protegido por um tecido muito suave. Arrisco até a dizer que podemos correr sem meias, mas, quanto a isso, eu não experimentei.

Corri mais de 90 quilómetros, todos em estrada, alcatrão e por vezes aqui ou ali com alguma areia. Desde o início confirmei a sensação leveza e a rapidez dos Kinvara 11. É natural por ser a imagem de marca deste modelo. Confirmei e senti que esta nova tecnologia PWRRUN é capaz de manter um excelente comportamento em termos de amortecimento e rapidez pela forma como responde a cada passada.

É claramente, para mim, um modelo que pode ser usado perfeitamente nos treinos diários ou em competição. E, neste ponto, a Meia-maratona seria a distância limite. Pessoalmente, não os escolhia para correr uma Maratona, mas isso são opções.

A sola dá uma constante sensação de flexibilidade. Durante os vários treinos que fiz senti a transição entre a aterragem e a decolagem, sempre rápida e eficaz. Mesmo em termos de aderência senti que agarra bem o piso embora não os tenha testado em piso molhado.

Em suma, acho que o modelo Kinvara 11 manteve a sua versatilidade em termos de ténis de treino ou mesmo de competição por serem extremamente responsivos. Têm um bom amortecimento e a leveza é totalmente garantida durante a corrida, embora esperasse que fossem mais leves. A sensação que tive é que o PWRRUN da meia sola ajuda e muito durante a corrida pelo fato de ter sentido que os ténis são constantemente propulsionados para a frente.

Ao design do Saucony Kinvara 11
Ao design do Saucony Kinvara 11

Depois de ter corrido mais de 1.000 quilómetros com os Kinvara 8 e mais recentemente já ter chegado aos 500 quilómetros com os Kinvara 10, e comparando apenas com o modelo 10, não acho que existam diferenças significativas entre o modelo 10 e o 11, até achei este modelo 11 um pouco mais apertado.

Destaco apenas uma pequena grande novidade: a nova tecnologia PWRRun, que nestes Kinvara 11 melhoram em muito a corrida, tornando a pisada mais suave e rápida.

A tecnologia FORMFit proporciona uma maior proteção a toda a estrutura dos pés. A forma como foi redesenhada toda a estrutura dos ténis está simples, mas torna-os menos respiráveis.

Os Saucony Kinvara 11 são sem dúvida um excelente modelo para quem pretende ter um modelo leve para os treinos diários, para quem quer correr em ritmos altos e eventualmente para quem pretende competir. Durante os vários treinos que fiz, tive a sensação que corri com os Kinvara 10, mas a forma como a nova tecnologia PWRRUN nos Kinvara 11 responde durante a corrida é excelente, diria mesmo que é superior ao modelos anteriores, possibilitando correr sem grande esforço e sem perda de energia.

Sem dúvida que o modelo Kinvara da Saucony permanecerá o meu modelo favorito em termos de leveza e a minha escolha para treinos e provas curtas e rápidas.

Pontos positivos:

  • Tecido simples mas leve e bem construído
  • Bom ajuste ao pé
  • Muito responsivo e com bom amortecimento
  • Excelente modelo para diferentes tipos de treinos, desde séries, fartlek ou simples
  • Modelo leve e rápido

Pontos Negativos:

  • Poderia ser mais leve
  • Pouco respirável