Eis uma questão que todos os corredores amadores colocam a si próprios, pelo menos uma vez na vida: porque os atletas profissionais recuperam mais rápido de uma lesão?

As situações são inúmeras e por demais conhecidas: não apenas na corrida, mas também noutros desportos é normal ver os atletas profissionais recuperarem em tempo recorde de lesões ou outro tipo de problemas do que, à partida, seria de esperar. Porquê é a questão que todos nós nos colocamos.

Estas são algumas razões-chave que estão na base desta realidade:

  • A genética
    Para ser um profissional num qualquer desporto, ajuda sempre ter uma genética propensa a esse tipo de atividade, seja na corrida, natação, bicicleta ou outro qualquer desporto.
    Esta é uma realidade que, hoje em dia, já não sofre nenhuma contestação, até por estar demonstrada por vários estudos científicos, que confirmam que tem a ver também com a genética do atleta a capacidade de recuperar muscularmente.

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  • Condição física e volume de treino
    Dois aspetos importantíssimos na recuperação de um atleta são, sem dúvida, a sua condição física e o volume de treino. Neste último, desempenham um peso importante os treinos de força, nomeadamente no ginásio, assim como o treino aeróbico e anaeróbico.
    Finalmente, e a marcar igualmente a diferença entre um atleta profissional e um amador, surge o próprio tempo disponível para recuperar. Em que sentido? Simples: enquanto o profissional, quando tem por exemplo uma rotura muscular, dedica todo o seu tempo à recuperação ao mesmo que procura manter a forma, já um corredor amador tem de fazer essa recuperação nos tempos livres depois do trabalho e fazendo todas as obrigações como se não tivesse nada!
  • Conhecer desde o primeiro instante o tipo de problema
    Ao contrário dos corredores profissionais, que assim que notam o mais pequeno sinal de lesão sabem a que especialista dirigir-se para tratar do seu problema, os corredores amadores têm tendência para simplesmente parar e esperar que a dor passe, muitas vezes sem procurar sequer um especialista, já que raramente sabem onde se dirigir.
    Desta forma, torna-se quase lógico que um profissional resolva mais rapidamente o seu problema, uma vez que sabe à partida do que se trata e a quem recorrer, ao invés do que acontece com um amador, o qual acaba tendo pela frente mais etapas a cumprir.
    Finalmente, qualquer atleta profissional também tem mais meios de diagnóstico e tratamento à sua disposição do que um amador, o qual, não raras vezes, pouco mais faz do que aplicar gelo, uma ou outra pomada e o descanso… possível.
A atleta portuguesa Ercília Machado
  • Experiência
    Finalmente, e a terminar, nada mais, nada menos que… a experiência, que praticamente todos os corredores profissionais têm e que lhes permite conhecer o seu corpo até ao mais ínfimo pormenor, as reações que este exibe, a forma como se comporta perante determinado tipo de esforços, etc. Ou seja, não necessitando de muito para se aperceber que alguma coisa não está a corresponder como deveria.
    Desta forma, torna-se mais fácil parar antes de agravar qualquer lesão, o que já é mais difícil de acontecer com um atleta amador, o qual, muitas vezes, só se apercebe das queixas do organismo quando o problema já vai muito avançado.De resto, os atletas profissionais também conseguem o contrário: enquanto os amadores têm dificuldade em levar muito além o sofrimento, os atletas de elite conseguem atingir níveis de sofrimento que a maior parte de nós nem sequer admite!