Passadeira

Correr na passadeira não é, definitivamente, o mesmo que correr no exterior. Apesar disso, raros são os corredores que, a dada altura do ano ou até mesmo da sua época desportiva, não recorrem a esta solução para manter a forma ou recuperar de lesões, ainda que, garantem os especialistas, com esta opção a apresentar vantagens e desvantagens no tipo de ritmo e forma como se corre.

São vários os especialistas que, hoje em dia, defendem a existência de pequenas diferenças na forma como o organismo reage quando se treina na passadeira face àquilo que são os benefícios da corrida no exterior.

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No entanto, e porque os efeitos da corrida em passadeira acabam demonstrando um maior número de vantagens – menos impacto na passada, menos sujeição a lesões… – que desvantagens – as tais alterações no ritmo e na forma como se corre -, a verdade é que esta hipótese continua sendo encarada como uma boa e válida alternativa.

Ainda assim, explicamos-lhes quais as principais diferenças e respectivos efeitos:

  • Dureza da superfície
    É, talvez, a maior diferença entre correr na passadeira e correr na rua: a dureza do piso. Para a maioria dos atletas, poder correr na passadeira significa dar algum descanso às pernas. No entanto, e na opinião de alguns investigadores, isso poderá não ser um benefício para muitos corredores. No caso dos corredores em risco de fraturas de stress nos membros inferiores, a opção pela passadeira pode ajudar na recuperação; já para um atleta com dificuldade no calcanhar de Aquiles, a superfície mais macia não é o ideal. A corrida em passadeira tem sido associada, por exemplo, a uma maior tensão nos gémeos, o que pode não ser bom. Assim, e no caso particular de estar a regressar de lesão, não deixe de referir, ao seu médico, o piso onde corre mais frequentemente, já que ele poderá indicar-lhe se está a fazer ou não a opção correta.
  • Velocidade variável
    A possibilidade de estipular uma velocidade na passadeira é outros dos fatores positivos (particularmente nos equipamentos mais antigos, este aspeto pode revelar-se pouco preciso, em particular quando numa corrida mais rápida). No entanto, e no caso de estar à procura de um treino mais intenso, tendo igualmente a hipótese de correr no exterior, o melhor mesmo será optar por esta última hipótese, já que será, à partida, mais fiável em termos de pace e de velocidade. Pelo contrário, se a única hipótese que tem é correr na passadeira, então o melhor é confiar mais nas sensações e menos na velocidade que o aparelho está a marcar. Especialmente se se tratar de uma passadeira já com alguns anos…
  • Conforto
    Embora este ponto possa parecer um contrassenso, estudos demonstram que os corredores que estão habituados a correr maioritariamente na passadeira mostram menos apetência para alterar a forma como correm. Pelo contrário, os indivíduos que não são usuários ávidos da passadeira revelam uma maior facilidade para alterarem o ritmo, além de levarem mais além o seu gasto de energia, uma vez que não estão tão confortáveis. Tal desconforto pode levar não só a maior intensidade, como também a passadas mais curtas, o que acaba trazendo benefícios.

Assim e embora a grande maioria dos corredores sejam aconselhados a integrar a passadeira no seu treino, impulsionados mais pelas vantagens que propriamente preocupados com as desvantagens, se o leitor não está habituado a isso, o melhor mesmo é começar devagar, apostando principalmente na recuperação. Sendo que esta pode, efetivamente, alterar a maneira como corre.