No alto rendimento, o principal objetivo dos programas de treino é a maximização da performance desportiva. Para que tal se suceda, o programa de treino deve proporcionar a ocorrência de adaptações fisiológicas e neurológicas nos músculos e tecidos, ocasionando um correto equilíbrio entre a distribuição de cargas de treino e a recuperação do corredor. Quando o plano de treino não cumpre com estas exigências, ou seja, cargas a mais ou período de recuperação a menos, o corredor pode desenvolver o fenómeno designado de síndrome de overtraining (ou sobretreino). Um artigo escrito por Raquel Costa para o Corredores Anónimos.

De forma sucinta, a síndrome de overtraining pode ser descrita como um desequilíbrio entre o treino e a recuperação. Contudo, a literatura refere também que o overtraing é gerado por um desequilíbrio entre o stress e a recuperação. Esta segunda definição baseia-se no stress em excesso combinado com uma insuficiente regeneração. Para o corredor de alto nível, o stress está inserido em todos os treinos e competições, mas há ainda fatores de stress presentes em situações extra treino e extra competição.

A forma como o corredor lida com o stress é determinada por fatores intrínsecos e extrínsecos ao próprio indivíduo. Nos fatores intrínsecos podemos salientar a sua capacidade de adaptação e a criação de estratégias de competição. Nos fatores extrínsecos, o aumento do volume de treino intenso combinado com o aumento do volume total do treino demonstra ser predominante para o aumento da suscetibilidade do overtraining.

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Existem dois tipos de overtraining, o overtraining do sistema simpático, que inclui o aumento da atividade simpática no estado de repouso (i.e., estimula ações que permitem ao organismo responder a situações de stress). Neste caso, deve ser dado um descanso adicional, ou na intensidade do treino ou no período de recuperação total.

O overtraining do sistema parassimpático é o mais frequente e carateriza-se pela diminuição da atividade simpática e predomínio da atividade parassimpática durante o repouso e o exercício físico.

O overtraining do sistema simpático atinge principalmente atletas que utilizam grande potência e velocidade – saltadores e corredores em provas de curta distância. Por outro lado, o overtraining do sistema parassimpático atinge sobretudo atletas de endurance – corredores e ciclistas.