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Como ocorre nas mais diversas distâncias, os mitos da nutrição também existem nas corridas de endurance, para desespero de vários corredores. Eis a verdade sobre algumas das ideias pré-feitas mais comuns relacionadas com a nutrição e a corrida de endurance.

Quantas vezes já ouviu dizer que as dietas de hidrocarbonatos são necessárias a todos os atletas? Ou, por exemplo, que a dieta não cetogénica, rica em carboidratos e gorduras, ajuda a aumentar a resistência? Ou seja, os mitos da nutrição na corrida de endurance também são mais do que habituais, algo que pode causar sérios problemas aos corredores menos preocupados com o tema.

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Verdade ou mito, o norte-americano The Internacional Journal of Sport Nutrition and Exercise Metabolism encarregou-se, entretanto, de desconstruir algumas ideias pré-feitas sobre nutrição, protocolos e abordagens alimentares de forma a que os corredores possam conceber melhor os seus planos alimentares segundo os seus objetivos. Recordamos aqui alguns desses princípios:

  • Mito: Dietas ricas em carboidratos são necessárias para todos os corredores
    Realidade: embora as dietas ricas em carboidratos sejam a escolha óbvia da grande maioria dos atletas de endurance, a verdade é que não são a única opção. Este tipo de dietas seguem muitos dos princípios instituídos para a alimentação desportiva de resistência, defendendo que os atletas mantém uma necessidade permanente de combustível, o qual deve ser amplamente garantido por carboidratos. Estas dietas procuram garantir as necessidades do momento dos atletas e não foram pensadas para perder peso. A maior parte dos corredores precisam de ingerir entre três e 12 gramas de carboidratos/quilo por dia para assim garantirem uma elevada disponibilidade. Assim, e embora esta dieta seja aconselhável para muitos corredores, existem uma série de cenários diferentes em que outro tipo de dietas será, certamente, mais apropriado.
  •  Mito: Uma dieta cetogénica melhora a endurance no corredor
    Realidade: mesmo duplicando a taxas de oxidação de gordura, a dieta cetogénica, ou seja, concebida para perder gordura e não peso, não garante, à partida, uma melhoria da endurance, exceto em algumas situações mais isoladas. Ao mesmo tempo, a dieta não cetogénica, com baixo teor de carboidratos e alta gordura, é frequentemente confundida com a dieta cetogénica: enquanto a primeira permite que 15 a 20 por cento da ingestão diária de um corredor provenha de carboidratos, a dieta cetogénica autoriza menos de 5 por cento. Nalguns contextos, tal significa menos 125 calorias por dia de carboidratos no caso de consumir um total de 2.500 calorias e cumprir a dieta cetogénica. Quanto às principais preocupações relacionadas com a dieta cetogénica, têm a ver com a pouca variedade de alimentos, o que pode levar a faltas no organismo, conduzindo a uma incapacidade nas altas intensidades como as que são submetidos os atletas de resistência.
  • Mito: Correr em jejum ajuda o corredor a ficar apto mais rapidamente
    Realidade: Não existem evidências plenas de que correr em jejum, garante benefícios em termos de performance. Uma corrida em jejum significa fazer exercício de estômago vazio logo pela manhã ou correr mais de seis horas depois da última refeição ou lanche sem comer, seja o que for, durante o exercício. No entanto, e para que consiga observar alterações no organismo, é preciso que corra, pelo menos, 45 minutos.

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  • Mito: A queima de gordura conduz à perda de peso
    Realidade: a queima de gordura pode ser útil a corredores que façam provas de mais de oito horas, ainda que existam certezas de que tal possa acontecer. No entanto, e para que os atletas consigam queimar gordura, têm de limitar a inclusão de carboidratos em cerca de 15 a 20 por cento na sua dieta durante cinco dias antes de poderem ter um dia de ingestão normal. Esta prática pode, efetivamente, ajudar o organismo a queimar mais gordura que carboidratos durante o exercício. Contudo, e em última análise, esta dieta pouco ou nenhuma relação tem com a perda de peso.