Especialmente se estiver a regressar depois de um longo período sem correr, começar com uma sessão de exercícios de intensidade moderada pode ser a melhor forma de recarregar as células com vista  ao esforço físico que segue.

Um estudo científico recente publicado na revista Medicine & Science in Sports & Exercice afirma que basta uma sessão de exercícios aeróbicos em intensidade moderada para que, estimulando as mitocôndrias, organelas celulares responsáveis por transformar alimentos como as gorduras ou o açúcar em energia, aumente a eficiência do metabolismo.

Segundo este mesmo estudo, em que os investigadores acompanharam 15 mulheres e homens com idades entre os 20 e os 30 anos de uma forma geral sedentários aos quais pediram que pedalassem numa bicicleta estacionária durante uma hora numa intensidade moderada, com biópsias musculares realizadas 15 minutos antes e depois do exercício, comprovaram uma diferença significativa pós-exercício nas mitocondrias celulares.

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Analisados os dados obtidos, concluiu-se que, após o ciclismo, as mitocôndrias dos participantes queimaram cerca de 12 a 13 por cento mais de gordura e 14 a 17 por cento mais de açúcar.

«O exercício estimula muitos aspetos do metabolismo», comenta em declarações reproduzidas na Runner’s World o autor principal do estudo, Matt Robinson, doutorado que é também professor assistente na Faculdade de Saúde Pública e Ciências Humanas da Universidade Estadual do Oregon. «Queríamos investigar os efeitos de curto prazo dos exercícios diretamente nas mitocôndrias do músculo esquelético, que são o principal local do metabolismo do combustível.»

De resto, e embora os efeitos tenham sido leves, com apenas uma sessão, o mesmo interlocutor também salienta que estes foram consistentes, o que significa que uma única sessão de exercícios pode estimular pequenas mudanças nas mitocôndrias. À medida que as sessões se vão acumulando, tal pode aumentar a eficiência no metabolismo do combustível.

Ainda sobre este estudo, a maior condicionante relativamente aos resultados obtidos deriva do pequeno número de participantes, assim como do facto de apenas terem sido estudadas pessoas mais jovens, algo que, no entanto, não impede o coautor do estudo Sean Newsom, também ele doutorado e professor assistente na Faculdade de Saúde Pública e Ciências Humanas da Universidade Estadual do Oregon, EUA, de afirmar que é muito provável que o resultado seja semelhante em todas as faixas etárias.

«Qualquer pessoa, independentemente da idade, pode aumentar o metabolismo do combustível mitocondrial com treinamento aeróbico», garante Newsom à Runner’s World, considerando que «os resultados como estes são muito encorajadores, especialmente para populações a atravessarem um processo de envelhecimento em que costumam registar declínios nas mitocôndrias».

Dito de outra forma, isto significa que, embora os mais jovens possam ganhar com os efeitos da queima de calorias, através de uma melhoria da função mitocondrial, os mais velhos podem beneficiar ainda mais.

Recorde-se que, à medida que envelhecemos, o acumular de danos celulares – causados sobretudo em resultado de doenças e até fruto de uma renovação celular mais lenta – pode causar um declínio na função mitocondrial.

Ainda que uma só sessão de corrida possa não ser suficiente para retardar o processo de envelhecimento, à medida que o número de sessões aumentar não há dúvida de que estará a dar um impulso saudável à função celular.