Correr em jejum ou de estômago vazio, prática que, embora nem sempre bem acolhida pelo organismo, é vista por alguns atletas como uma forma de ajudar à perda de peso. No entanto, será realmente assim que o nosso corpo atua?

Prática muitas vezes aplicada, em particular quando pretendemos perder peso, o jejum representa a privação total ou parcial do organismo no que diz respeito ao consumo de alimentos. Sendo que, em alguns casos, esta privação deixa de fora apenas as bebidas não-calóricas, como a água, infusões e o café simples.

Podendo ser motivado não apenas por razões de ordem física, mas também religiosas, de saúde ou até mesmo enquanto forma de protesto, a verdade é que, no que ao peso diz respeito, esta prática encontra sustentação em alguns estudos científicos, os quais defendem o jejum como uma forma eficaz de controlar a ingestão de calorias e, como tal, de contrariar o excesso de peso ou até mesmo a obesidade. No entanto, em muitos deles, também se reconheça a necessidade de investigação complementar que determine se os benefícios desta prática se mantêm realmente a médio e longo prazo.

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Porquê treinar em jejum?

A ideia por detrás desta prática é simples de explicar: ao treinar, o nosso corpo aumenta as suas necessidades de energia. Contudo, e como estamos de estômago vazio, o organismo é obrigado a ir buscar a energia diretamente às nossas reservas que já se encontram no corpo e que são as gorduras acumuladas.

Desta forma, o mais natural é que percamos gorduras e comecemos a emagrecer… Ou será que não?

Mas é mesmo verdade que correr em jejum faz perder peso?

A verdade é que não existe um consenso sobre as potenciais vantagens de treinar em jejum, tal como não existe a certeza de que estas suplantem efetivamente os aspetos negativos no que à perda de peso diz respeito.

Desde logo, porque mudar o tipo de energia consumida, da glucose para a gordura existente no organismo, não é um processo tão fácil ou rápido quanto isso, além de depender, igualmente, do tipo e intensidade do exercício, sendo que o efeito pretendido pode mesmo não surgir, levando-nos a treinar em jejum para nada.

A par deste risco, existe ainda outro, que é a forte possibilidade de, ao treinarmos em jejum, quando decidirmos comer, acabarmos por ingerir mais do que o necessário. O que, acrescente-se, acaba sendo contraproducente.

Embora possa não parecer até aqui, também existem argumentos a favor do treino em jejum. Desde logo, e segundo alguns estudos, pelo facto do jejum aumentar a sensibilidade relativamente à insulina e à hormona do crescimento, as quais estão ambas igualmente relacionadas com uma maior facilidade na perda de peso.

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Ainda assim, e de uma forma geral, os estudos científicos que abordaram este tema também concluíram que não existe uma diferença no peso ou no percentual de gordura corporal quando comparamos pessoas que treinam com o estômago vazio com outras que não treinam. Nomeadamente, quando a dieta e os exercícios realizados por ambos os grupos é o mesmo.

Em resumo…

Resumindo, a atitude correta de qualquer corredor perante esta questão de correr em jejum como forma de perder peso deve ser particular e individual. Ou seja, o mais importante é que o leitor saiba ouvir o seu organismo e as sensações que este transmite, seja ao treinar em jejum, seja ingerindo alguns alimentos antes do treino.

Se para alguns ir correr de manhã de estômago vazio é algo impensável e para outros também não faz nenhum sentido comer antes de ir correr, na verdade ambas as hipóteses são aceitáveis e corretas, desde que funcionem connosco. Até porque, e a fazer fé nos estudos científicos, correr em jejum pouco efeito tem na perda de peso.