Correr… descansando. Se nunca ouviu tal coisa, saiba que é um aspecto extremamente importante em qualquer distância, já que nos permite recuperar forças durante a corrida sem deixar de correr. Saiba qual o tempo e distância que deve correr… descansando.

Maratonista experiente com uma marca pessoal de 2h24 e treinador o clube Pace and Mind de Toronto, Paddy Birch recorda, em declarações à revista Running Magazine, que um dos erros mais frequentes quando se procura descansar a correr é correr, ainda assim, a ritmos demasiado altos.

«O propósito deste tipo de corrida é recuperar a condição, algo que se torna impossível se continuarmos a correr com demasiada intensidade», revelou à revista este responsável. O profissional recorda que, não aprendendo a recuperar, também os treinos mais intensos se tornarão mais difíceis.

LEIA TAMBÉM
Sente-se cansado? Recordamos-lhe cinco coisas que podem estar a roubar-lhe a energia!

Deste modo, aqui ficam algumas diretrizes que o ensinam a descansar… correndo. Para que também os treinos mais árduos se tornem igualmente mais fáceis.

  • Tempo de descanso varia consoante a distância
    Aprender a descansar durante a corrida também tem a ver com a distância que se está a correr, sendo que, na opinião de Paddy Birch, «no caso dos maratonistas que hoje em dia fazem muito do seu treino a ritmos mais de descanso, eu indicaria um tempo de recuperação, durante a corrida, entre 60 a 70 minutos do total de prova. Mesmo dependendo sempre da experiência do atleta, eu nunca recomendaria mais de 70 minutos de corrida a ritmos mais fácil. Porque, acima desses valores, penso que, mais do que estar a construir algo, estamos a destruir».
    Já no caso de meias-maratonas e corridas de distâncias menores, «eu aconselharia não mais do que oito quilómetros ou 30 minutos. Continua a ser um volume ainda fácil, sem agredir demasiado o corpo».
  • A hipótese de duas corridas por dia
    Especialmente quando muito cansados, alguns corredores tendem a optar por partir o seu objetivo de quilómetros diário em duas sessões. Algo que, no entender do maratonista canadiano, não será a melhor solução quando se trata de maratonistas, uma vez que, defende, «precisam de habituar-se a passar muito tempo sobre as suas pernas». Pelo contrário, e já no caso dos corredores de distâncias mais curtas, «treinos duplos podem ser uma excelente solução».
    De resto, Birch defende que este tipo de treinos também podem ser uma solução para os atletas que já não estão a responder bem às cargas de treino, situação em que «a solução pode ser correr 20 minutos de manhã e 40 minutos à  tarde. No entanto, a partir do momento em que a corrida durar mais de 45 minutos, já está a entrar num sistema de treino distinto».
    Finalmente, também os corredores que se sintam cansados poderão beneficiar de um sistema de dois treinos por dia. Mais concretamente, realizando uma curta corrida de manhã, como forma de combater a rigidez e fazer o sangue fluir, mais uma outra, igualmente curta, à tarde.
  • A importância do PACE
    Segundo Birch, é neste campo que maiores erros se cometem, razão pela qual recorda o exemplo dos atletas profissionais que, nos dias de descanso, correm cerca de um minuto e meio mais lento por quilómetro do que aquele que é o seu verdadeiro PACE. Sendo esta a atitude correta a tomar.
    Por outro lado, o treinador também refere que, quando recomenda aos seus atletas correr treinos descansando, segundo a perspetiva Tempo vs. Distância.
    «No caso dos meus atletas tendem sempre a correr mais lentamente quando lhes imponho objetivos de tempo. O objetivo de uma corrida de recuperação é sentirmo-nos melhor ao terminarmos. Nesses momentos não nos devemos manter agarrados a um determinado PACE. Devemos deixarmo-nos ir. O primeiro quilómetro até pode ser lento, não interessa. O mais importante é termos presente o objetivo de cada corrida».