Vanessa Pereira olha com alegria o boom do triatlo, com a portuguesa a recordar os poucos maluquinhos que participavam numa prova de Ironman há apenas 10 anos. Hoje uma imagem impossível de ver nas provas, inclusive a nível nacional.

Qual a sua análise em relação à participação portuguesa nos Jogos Olímpicos? 
Em relação à prestação masculina, foi de longe aquilo que os dois atletas ambicionavam. No feminino, e no meu entender, foi uma boa prestação.  

E a prova em si? Ficou surpresa com os vencedores?
Ambas as provas foram muito disputadas e com muitos atletas “favoritos” a disputar a prova até à corrida, tanto no feminino como no masculino. Venceram os atletas que, nos últimos meses, apresentaram grandes prestações em outros eventos. 

O percurso, com curvas e contra curvas, foi muito criticado por especialistas e atletas. Como analisa essas críticas pelo que viu?
O percurso era conhecido desde o event test. Sem dúvida que era um percurso muito técnico, mas todos os atletas tiverem tempo para o preparar. Se era um percurso fácil, claro que não, mas os organizadores nem sempre conseguem um percurso perfeito e tentam construir um trajeto que, em simultâneo, seja competitivo mas também um espetáculo para atrair as pessoas a assistir às provas.  

Vanessa Pereira é seis vezes campeão nacional do Ironman e tem duas participações terminadas no Ironman Hawaii
Vanessa Pereira é seis vezes campeão nacional do Ironman e tem duas participações terminadas no Ironman Hawaii

E em relação à estreia das estafetas no calendário dos Jogos, foi aquilo que esperava? Gosta dessa diversificação? 
A prova de estafetas é sempre muito dinâmica e pode mudar radicalmente, o que torna a prova interessante e chama o público. Acredito que esta prova faz sentido nos Jogos, mas sempre com a prova de distância olímpica.  

Como a atleta Vanessa Fernandes analisa o triatlo nacional em termos gerais, não só no Ironman? Estamos no bom caminho? E a nível mundial? Estamos a passar por um grande período? 
O triatlo é das modalidades mais exigentes do desporto. Um desafio que não é para todos. No entanto, é uma modalidade que conhece uma enorme expansão em Portugal. Só em atletas federados, os números têm sido impressionantes e os resultados em alta competição rivalizam com qualquer modalidade do país. E não falamos apenas da Vanessa Fernandes. 
O triatlo é um vício, um desafio aliciante e recompensador, onde a busca pela perfeição nunca acaba. As pessoas ficam viciadas! Do ponto de vista psicológico, quem pratica triatlo sente-se sempre um vencedor. E por isso o seu crescimento a nível nacional e mundial. Apesar de ainda estarmos uns anos atrasados em relação aos nossos amigos vizinhos, por exemplo, estamos no bom caminho. 

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Quando começou no triatlo, imaginava que a modalidade chegaria a esta popularidade que tem nos nossos dias? O que mais a surpreendeu nessa caminhada? E qual foi, na sua opinião, o momento decisivo para esta popularidade? 
O triatlo cresce e aqueles que estão de algum modo relacionados com a modalidade contribuem diariamente para isso: os atletas, os treinadores, os clubes, as provas, os familiares, os patrocinadores e, inclusive, os simpatizantes da modalidade. 
A conquista da medalha de prata nos Jogos Olímpicos pela Vanessa Fernandes deu ao país o conhecimento da modalidade, que cresceu também com resultados de muito bom nível com os títulos europeus e mundiais do Ricardo Batista e Vasco Vilaça, por exemplo. 
A distância longa também teve a sua contribuição, o chamado boom do Ironman. Ainda me lembro, há 10 anos, de meia dúzia de maluquinhos que se aventuravam numa prova de Ironman. Agora somos mais de 100, 200 atletas em Portugal que fazem esta modalidade. E que alegria me dá ver isto, a vontade e determinação de atletas amadores que buscam o sonho de um dia terminar um Ironman e poder partilhá-lo com as famílias.