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Nos próximos dias 13 e 14 de junho, em Santana, realiza-se a segunda edição da Ultra SkyMarathon Madeira, evento organizado pelo Clube Aventura da Madeira em parceria com a Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal. A novidade deste ano é a prova fazer parte das Skyrunner National Series Spain, Andorra & Portugal, um conjunto de seis corridas de ultras, com a ilha madeirense a receber a única prova realizada em Portugal. No total teremos cerca de mil inscritos oriundos de 14 nacionalidades, distribuídos pelos três percursos que constituem o evento. Falamos com António Ferro, do Clube Aventura da Madeira…

 

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Esta é a segunda edição da Ultra SkyMarathon Madeira (USM). Poderiam falar da primeira edição?
A primeira edição da USM realizou-se nos dias 6 e 7 de setembro de 2014, tendo 500 participantes efetivos nas três distâncias em competição. O evento foi a estreia do Skyrunning em Portugal, constituindo o primeiro campeonato nacional na distância Ultra SkyMarathon. A prova principal teve um percurso com 59km e 3300m D+, delineado integralmente no concelho de Santana, entre o mar e a montanha mais alta da ilha da Madeira, o Pico Ruivo de Santana, a 1861m de altitude. A participação de alguns atletas estrangeiros e alguns nacionais transpôs a USM para um plano de promoção nacional e internacional. Em termos de resultados, destaque para os vencedores absolutos e primeiros campeões nacionais do Skyrunning, o madeirense Manuel Faria e a atleta continental, Ester Alves. Nos pódios da USM 2014 ainda figuraram Luís Fernandes e Unai Santamaria, 2.º e 3.º, e Nerea Martinez 2.ª e Lúcia Franco na terceira posição da competição feminina.

skymadeiraComo surgiu a ideia de criar a Ultra SkyMarathon Madeira?
A USM surgiu após duas edições do Trail de Santana, onde existiu uma significativa mobilização de praticantes regionais. No ano 2014 surgiu a oportunidade de alterar o conceito do evento para Skyrunning e organizar o primeiro Campeonato Nacional de Ultra SkyMarathon, uma das provas definidas nesta modalidade que está inserida nas atividades daFederação de Campismo e Montanhismo de Portugal. O ambiente do Skyrunning é a Montanha e nada melhor que utilizar os recursos naturais e envolvência do terceiro ponto mais alto de Portugal, que se ergue dos 0 aos 1861 metros de altitude, para estrear a modalidade no nosso país.

Quantas pessoas estão envolvidas na organização de um evento como este?
Serão cerca de 120 elementos para todas as áreas da organização, que em parte continuam para o último dia do evento com o percurso de promoção e cerimónia de entrega de prémios.

E quais as principais dificuldades para colocar de pé a Ultra SkyMarathon Madeira?
São várias, desde a mobilização de patrocinadores, mas também alguns aspetos logísticos que não estão disponíveis na região, que implica que tudo seja tratado com maior antecedência e com custos acrescidos; há também a disponibilização do percurso, que, em partes mais inóspitas, tem de ser alvo de limpezas da vegetação espontânea, além da colocação de alguns meios para a segurança dos participantes.

O percurso será o mesmo do ano passado?
Não, este ano a distância foi reduzida para 55km e o aumentamos o desnível acumulado que situa-se nos 4000m positivos

Essencialmente, o que procuram na criação do percurso?
Com base nas definições do Skyrunning e da Ultra SkyMarathon, mais de 2500 metros de desnível positivo acumulado e mais de 50km de distância, o percurso procura passar pelos ambientes e locais particulares de maior interesse do concelho de Santana e que são referências na Ilha da Madeira. Em resumo: o desafio, a beleza particular, as paisagens grandiosas e o máximo de itinerário em trilhos.

Este ano a Ultra SkyMarathon Madeira faz parte do calendário Skyrunner National Series. Concretamente, o que isso significa?
O Skyrunner National Series é um quadro competitivo da International Skyrunning Federation constituído por um conjunto de provas das disciplinas do Skyrunning, Ultra SkyMarathon, SkyRace e KM Vertical, destinado ao âmbito nacional. Como em Portugal ainda não existem competições em quantidade e dimensão para existir um circuito nacional próprio, a solução foi integrar a competição portuguesa num âmbito ibérico. Existe ainda outros quadros competitivos promovidos pela ISF, o Skyrunner World Series, Skyrunning Continental Championships e Vertical World Circuit. Todos apuram campeões por área geográfica, numa disciplina ou numa combinação de várias.

E qual a importância da Ultra SkyMarathon Madeira fazer parte da Skyrunner National Series de Espanha, Andorra e Portugal?
Uma das componentes do evento é a competição desportiva/promoção da atividade fisica, uma outra é a divulgação da Madeira e em particular o concelho de Santana. Reunindo a região condições de referência pela sua orografia, valias naturais e como destino turístico, a entrada no Skyrunner National Series a nível ibérico é um passo de proximidade para a projeção do evento. Por outro lado, é a forma de Portugal, no imediato, figurar com provas nos calendários internacionais da ISF – International Skyrunning Federation.

Acreditam que, por fazer parte desta competição, teremos um leque maior de participantes na Ultra SkyMarathon Madeira?
Sim, com certeza que teremos. Não só a visibilidade é mais ampla, como o fazer parte de um quadro competitivo que envolve várias competições, mas também o interesse desportivo e a possibilidade de atrair atletas de referência, atraindo a população para a prática desportiva, que é um dos objetivos principais do Clube Aventura da Madeira enquanto organizador do evento.

Dos grandes nomes da modalidade, quem gostariam de ter na prova na linha da meta?
Todos os entusiastas da corrida técnica e de dificuldade em montanha são bem-vindos, são eles que compõem as grandes provas de Skyrunning. No entanto, reconhecemos que a mobilização de participantes e o nível competitivo também são impulsionados pela participação de referências da modalidade e, nesse particular, a edição 2015 da Ultra SkyMarathon Madeira terá à partida alguns dos grandes nomes do Skyrunning mundial e um conjunto de outros atletas de referência, como a americana Stevie Kremer, campeã mundial de Skyrunning, e ainda a Alessandra Carlini, Aritz Egea, Zaid Ait Malek, Ricky Lightfoot, assim como os atuais campeões nacionais, Ester Alves e Manuel Faria

Haverá alguma novidade significativa na edição deste ano?
Os percursos contam com alterações significativas. A prova principal terá mais trilhos e de maior dificuldade e desafio, o percurso intermédio de 21km é praticamente novo, com um verdadeiro sobe e desce à montanha, e teremos um novo percurso de promoção com 13km, acessível e que reúne todos os atrativos para um primeira estreia ou para uma participação lúdica.

 

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Além da Ultra SkyMarathon Madeira, a ilha recebe o MIUT, entre outras provas. Há espaço para dois eventos desta qualidade?
A Madeira tem alguma tradição na organização de eventos desportivos nas mais variadas modalidades desportivas e atividades de lazer. A USM é um evento desportivo com particularidades definidas pela modalidade Skyrunning, centrado numa região específica (Santana) que reúne atrativos numa combinação única: subida à montanha mais alta da Madeira com 1861m de altitude, com a chegada dos primeiros atletas ao topo por ocasião do nascer do Sol, passagens técnicas, uma parte significativa do percurso percorre trilhos em áreas de floresta Laurissilva, que é o único Património Mundial Natural em Portugal classificado pela UNESCO, ambientes e paisagens entre o mar e a montanha, num concelho que é integralmente Reserva Mundial da Biosfera… Reunindo a Ultra SkyMarathon Madeira estes atrativos, os participantes serão com certeza o único indicador de qualidade e viabilidade da existência de qualquer prova em qualquer parte do mundo.

Como explicam essa multiplicação de provas de trail na região?
A Madeira acompanha as tendências desportivas mundiais e a respetiva procura interna e externa. Quando reúne condições excecionais, surgem iniciativas de organização pelas mais variadas motivações de âmbito institucional, associativo ou pessoal. Na Madeira, em 2015, estão previstas 11 provas de Trail Running e quatro de Skyrunning, fruto de uma dinâmica essencialmente associativa, mas também iniciativas de algumas instituições de caráter público e até empresarial.

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Fotos gentilmente cedidas pelo Clube Aventura da Madeira