Fotógrafo, João Delgado acaba de ver o seu livro “Trail Runner – A State(ment) of Mind” editado entre nós, uma obra onde os participantes preferiram correr 100 km a ter de escrever 10 linhas…

Como surgiu a ideia de avançar para este livro, “Trail Runner – A State(ment) of Mind”?
A ideia já surgira há algum tempo, mas nunca houve tempo para me dedicar muito a ela.
Os últimos anos têm sido bastante preenchidos com trabalho, até porque, além da fotografia, sou assistente técnico num agrupamento de escolas.
Como 2020 não foi um ano propício para a fotografia, dediquei-me mais a este projeto, que decidi avançar para a publicação do livro nos últimos meses.

E foi complicado colocar de pé um projeto como este? Quais foram as principais dificuldades?
Não foi difícil, até porque metade do livro já estava quase feito. As fotos já existiam e isso ajudou bastante na conceção da obra. A principal dificuldade prendeu-se com a escolha dos corredores que iriam participar e se iriam ou não aceitar este desafio que lhes era proposto.

E foi uma adesão generalizada?
Como a ideia principal era conceber um livro a dois, levei esse objetivo até ao fim. A dois porquê? Se eu tiro fotos, devo-o aos corredores e à sua participação nas provas onde estou presente.
E a ideia do livro partiu daí, conceber um livro a dois, onde os runners tivessem a sua parte no livro, complementando as suas fotos com aquilo que quisessem transpor cá para fora, dar-lhes uma oportunidade para desabafar ou serem ouvidos.
A resposta ao meu convite foi única: «Sim, eu quero participar!»
A dificuldade para alguns foi nos textos a elaborar… Preferiam correr 100 km a ter deescrever 10 linhas (kkk).
O resto do livro foi preenchido com fotos de outros atletas que eu tirei ao longo destes últimos 4,5  anos.

O livro de Trail de João Delgado
O livro de Trail de João Delgado

Visto sobre a perspetiva do autor, o que é os leitores vão poder encontrar em “Trail Runner – A State(ment) of Mind”?
Vão encontrar testemunhos surpreendentes, experiências de vida, desabafos, ensinamentos, dicas, alegrias e sofrimentos…
Acredito ser um livro que vai surpreender qualquer pessoa, não só quem está no Mundo da Corrida.

Como as pessoas podem adquirir o livro? Estás nas livrarias, via online…
Neste momento, as pessoas interessadas em adquirir o livro podem fazê-lo através de mensagem privada na página do Facebook ou através do email criadesign.are@gmail.com.
Vamos entrar brevemente na 3.ª fase de pré-encomendas e, até hoje, tudo tem decorrido dentro da normalidade com as encomendas e distribuição dos livros.

Quanto a sua paixão pelo Trail, quando surgiu?
Sempre gostei muito de desporto, mas jamais corri. Fui praticante de futebol federado ao longo de 15 anos. E quando abracei o Mundo da Fotografia, o desporto esteve sempre presente.
Numa altura em que seguia frequentemente as provas de Downhill e BTT, na área do ciclismo, surgiu um convite para  fazer a reportagem de uma prova bastante conhecida no Trail, a PT281+. Desde então a minha paixão pelo Trail cresce.

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O João conta já com uma experiência assinalável em termos de fotografia de provas de Trail. Quais as principais dificuldades com que se depara um fotógrafo ao cobrir este tipo de provas?
A principal dificuldade prende-se sobretudo com a logística: trilhos, equipamentos,  meteorologia, etc.
É sempre um desafio, até porque gosto de acompanhar os atletas de perto e nem sempre é possível chegar a certos locais.
Mas procuro sempre ultrapassar essses desafios com um antecipado e aprofundado estudo do terreno, procurando alternativas e meios que me ajudem a estar no sítio certo à hora certa.

Qual a prova que ainda não fotografou e gostaria de um dia fotografar?
Neste momento, em Portugal, gostaria muito de fotografar todas as provas. Era sinal de que tínhamos ultrapassado esta pandemia.
Já disse numa entrevista recente que a Badwater é um sonho e continuo a manter esse desejo de um dia poder fotografar esse evento.

Enquanto espectador atento, o que é que ainda falta ao Trail nacional? E aos atletas?
Na minha modesta opinião, penso que existem provas em que a organização ainda não está suficientemente preparada em vários aspetos para poder oferecer condições aceitáveis aos atletas.
Faltam meios de recompensar os atletas, pois eles investem em equipamentos, viagens, inscrições.  Era necessário prémios e  condições de treino melhores, mas também um maior reconhecimento por parte da comunicação social.