Beatriz Ferreira, que conquistou o título mundial no Triatlo XTerra (Triatlo Cross) do seu escalão etário, 15-19 anos, recorda que as cãibras poderiam ter colocado o seu triunfo em causa, no BTT e na corrida.

Onde e como alcançou a sua qualificação para o Mundial no Havaí?
A prova do circuito Xterra que é realizada em Portugal, na Golegã, é organizada pelo meu clube. Desde que entrei para a modalidade que convivi com o ambiente da prova. Se eu achava incrível ao assistir, mais incrível se tornou quando já me encontrei no cenário da prova. Eu e o meu treinador sempre focámos no objetivo do apuramento, sendo que só era possível este ano, em junho de 2019. E assim trabalhámos de modo a atingir o objetivo.
Recordo que o dia da prova foi um dia de estreias: uma distância maior e com uma dureza que não apanhara antes, em termos de calor e tempo em prova. Com temperaturas a rondar os 41° C, o plano de alimentação e hidratação teve de ser bem estudado. Em provas mais longas e intensas é muito importante prevenir as cãibras e fadiga… Feito isso, e com todo o treino até ali bem cumprido, foi entrar em ação e dar o meu melhor. Saí na frente do segmento de natação e, a partir daí, tive de controlar o esforço. Tive um percalço no segmento do BTT, um furo, que me fez perder alguns minutos. Cheguei à corrida com algum desgaste acumulado, mas consegui manter o quinto lugar entre atletas portuguesas e internacionais. O primeiro lugar no Age Group 15-19 deu-me o apuramento para o Campeonato do Mundo.

E quais eram as expetativas para o Mundial? Por exemplo, ambicionava o título mundial?
Eu cheguei ao Havaí confiante. Era um sonho, uma viagem de sonho, e, ainda mais, a fazer aquilo que me dá mais prazer, o triatlo.
Cumpri os treinos de adaptação à zona, com mais calor e mais humidade. Adorei nadar no mar e os percursos da prova e assim fiquei ainda mais entusiasmada.
No dia da prova sentia-me com o nervosismo pré-prova, mas sempre confiante. Quando ouvi o tiro de partida só pensei em dar tudo e sabia bem o que queria, que queria voltar para casa com o título.

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Concretamente, como foi a sua prova?
Fiz um segmento de natação muito semelhante ao de duas adversárias que encontrei logo de seguida no parque de transição, 27 minutos. Acreditei que era mesmo possível alcançar algo grande ao saber que estava em terceiro e que estavam ali as duas… Montei-me na bicicleta, quis logo acelerar e não perder mais tempo e, cerca de 2 km depois, já me encontrava em primeiro lugar. Fiz 2h06 no segmento de BTT. A entrar no último segmento, os últimos 10 km de prova em Trail, tinha que dar o meu máximo até ao fim, pois não era fácil saber se havia alguma atleta em aproximação. E assim o fiz até ao fim.
Nesta prova, ao contrário da Golegã, não consegui cumprir a alimentação pois perdi os géis no percurso de BTT, o que me provocou cãibras durante a segunda volta do BTT (15 km cada volta, com 600 D+) e no início da corrida, um percurso com cerca de 6 km de subida com 600 D+. Tive assim de aproveitar todos os abastecimentos para me hidratar bem até ao final.

Na quarta-feira, a campeã mundial Beatriz Ferreira revela como foi importante começar o segmento da corrida à frente das suas adversárias.