Rui Teixeira foi o melhor português na Maratona de Lisboa no passado domingo (a melhor atleta feminina foi Jéssica Pontes, com 2h51m41) com o tempo de 2h25m16, terminando a prova na 11.ª posição. O atleta do Sporting fez a sua estreia nos 42,195 km e tem uma certeza: vai voltar a correr a distância.  

Porque correr a Maratona?
Correr uma Maratona é sempre um dos objetivos maiores de um atleta, seja ele profissional ou de alguém que apenas o faz pelo simples prazer da corrida. Já há alguns anos que eu tinha a ambição de fazer a minha estreia numa Maratona e senti que o deveria fazer em Lisboa.

A primeira Maratona… Viveu tudo o que pensou ou foi muito diferente do que imaginou?
Tinha curiosidade de perceber como reagiria o meu corpo ao passar dos quilómetros e sentir todo o ambiente que se vive dentro e fora de uma competição com esta dimensão. E, de facto, é diferente de todas as outras que fiz até hoje… Deu para observar a felicidade e satisfação com que todos cruzavam a linha de chegada, mesmo aqueles que aparentavam vir em maiores dificuldades.

Concretamente, qual era o seu principal receio para a prova?
O meu principal receio era não ser capaz de terminar a Maratona por algum problema físico, cãibras ou indisposição.

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Como foi a sua preparação? Quantos meses, km por semanas, treinos longos, ritmos, etc.
Iniciei os treinos no início de agosto e aproveitei esta fase da época em que normalmente faço muito volume de treino, entre 180 e 190 km por semana. Aumentei apenas os treinos longos. Em vez dos habituais 20/22 km, fiz 3 sessões de 30/32 km, a um ritmo de 3m40/3m20.

O cross é uma das especialidades de Rui Teixeira
O cross é uma das especialidades de Rui Teixeira

A sua preparação foi muito diferente do que costuma fazer? Principalmente o quê?
Sou um atleta que, até hoje, conseguiu os melhores resultados no cross dada a minha origem, Amarante, onde tenho ao meu dispor as belas paisagens das serras do Marão e Alvão. Realizo pelo menos uma sessão por dia nessas montanhas, em percursos duros, que depois é útil para a minha corrida, dá-me a capacidade de resistência e força em competições longas e percursos difíceis. Deste modo, não alterei muito o método de treino que faço no cross por achar que também teria vantagens na Maratona.

Rui Teixeira procurou correr confortável na Maratona de Lisboa

Sobre a prova em si, qual era a sua estratégia? E conseguiu cumprir com o objetivo?
A estratégia para a prova era correr em ritmo confortável o maior número de quilómetros possível, tentar seguir o grupo de atletas portugueses sem me desgastar até pelo menos a metade da prova.
Acabei por ficar sozinho ainda antes do km 15 e tive de ter muita força física e mental para correr sozinho até a meta sem quebras de ritmo. Ainda consegui alcançar alguns atletas africanos, que tiveram quebras por volta dos 30 km.

E o Muro? Conheceu essa tão temível palavra na Maratona, talvez a mais conhecida do corredor anónimo?
Acabei por não conhecer o famoso Muro, já que fiz a segunda parte da prova mais rápido e terminei relativamente fresco.

Olhando para a sua prova, alteraria algo na sua perfomance? Ficou satisfeito com a sua marca, por exemplo?
A marca foi aquilo que tinha em mente, sabia que conseguiria 2h20/25 com alguma facilidade. O objetivo era ser o primeiro português a cortar a meta e foi alcançado por larga margem. Mas também ter uma boa primeira experiência para ficar com vontade de repetir.

Ponto positivo e ponto negativo da experiência?
Depois de analisar o que fiz, por exemplo, um curto período de treino e muitos quilómetros sozinho, penso que poderei almejar uma marca de 2h14/15 numa próxima experiência.

Definitivamente, a primeira vez nunca se esquece?…
A primeira vez nunca se esquece e claro que foi espetacular estrear desta forma. Numa grande organização do Maratona Clube Portugal, que tive o privilégio de representar durante três épocas, e na cidade de Lisboa, que atraiu milhares de estrangeiros para participar e está a tornar-se numa das maiores Maratonas da Europa.

FOTO: Luís Duarte Clara