Devido ao coronavírus, Rui Martins, na passadeira, e Miguel Carneiro, a pedalar, treinaram durante 6 horas em casa. Um desafio que serviu de alerta para todos os corredores.

Antes de tudo, considera que esta iniciativa foi um treino ou um alerta a todos, dado o momento em que vivemos?
Ambos! Eu e o Miguel precisávamos fazer um treino longo e decidimos juntar ao treino uma espécie de alerta geral ao momento em que estamos a viver. Ou seja, era algo que tinha todo o sentido.
A ideia foi consciencializar os atletas, sejam de que nível for, de que, se conseguirem evitar treinar na rua, é o ideal, embora cada um é livre para o fazer. Existem atletas que não estão de acordo em ficar em casa, os entendo perfeitamente, também não gosto.

Concretamente, como foi o treino do Rui Martins na passadeira? Foi muito mais complicado do que pensou?
Sim, foi mais complicado do que pensei. Correr muito tempo na passadeira não é fácil, estar fechado também não, devido ao calor. Logisticamente, para estar online e em direto, também não é algo fácil. Não estou habituado a estas coisas, mas a ideia era estar ligado aos atletas pela plataforma e acredito que esta experiência decorreu muito bem.

Evidentemente que não tem treinado como habitualmente devido as restrições que todos estamos a viver. Esse handicap foi tema de conversa entre o Rui Martins e o Miguel Carneiro na definição do tempo horário da iniciativa, ou seja, as 6 horas?
Sim! Nesta altura deveria estar a fazer treinos de 10, 12 horas em circuito de rua. Não o estou a fazer… A ideia das 6 horas foi tentar fazer algo de endurance que não fragilizasse muito o nosso sistema imunitário para não ficarmos muito mais expostos ao vírus.

LEIA TAMBÉM
Barcelona: casal apanhado a correr disfarça com saco do supermercado

Mas costumava fazer este tipo de treinos antes do recolhimento obrigatório? A distância e em casa?
A verdade é que já treinava muitas vezes em casa, na passadeira, em rolos e a fazer treino de reforço muscular, por exemplo, para assim estar, ao mesmo tempo, com a minha família. Por isso, para mim, treinar em casa não é um problema. Neste momento, estava a entrar na altura do planeamento no qual iria baixar intensidades e aumentar volumes. Claro que, se nada disto estivesse a acontecer, estaria na rua a treinar, mas o treinar em casa não é impeditivo para mim para seguir a minha planificação, mas sim o perigo que existe com os treinos longos de baixar o sistema imunitário e assim estar mais vulnerável ao vírus.

Quais as principais dificuldades que sentiu ao longo das 6 horas?
Estive quase parado uma semana e essa paragem foi sentida. Na parte final já me estava a sentir melhor, mas, no início, tive dificuldades a entrar na minha corrida.

E os momentos mais gratificantes?
O momento mais gratificante foi estar na plataforma com atletas de todo o mundo a treinar ao mesmo tempo, a falar com eles, alguns em plena madrugada, outros de manhã. Essa ligação entre nós foi realmente algo bastante interessante.

E como foi a reação dos convidados ao vosso convite de participar nesta iniciativa?
Foi simplesmente brutal. O Miguel é que fez os contatos, mas a ideia foi muito bem recebida por todos. Focamos em ser nós a convidar, mas, no próximo, estamos a trabalhar para ser aberto a todos.

E a importância deles correrem e pedalarem com vocês?
Foi algo superimportante. No fim, eu e o Miguel estivemos a falar e sentimos que, devido ao facto de estar em contato com eles, não nos lembramos de certas alturas do treino. Ou seja, o tempo passou muito rápido.

No total, quantos quilómetros correu? E o Miguel Carneiro, quantos quilómetros pedalou?
Eu corri 61,5 km e o Miguel pedalou cerca de 150 km.

Tinham uma meta específica em mente?
Não, a ideia era mesmo tentar fazer um treino de aproximadamente 6 horas, que foi plenamente realizado.

A participação popular no live foi o que esperavam? Tiveram pessoas a correrem/pedalarem com vocês?
Bem, isso foi outra coisa que nos surpreendeu. Tivemos mensagens e posts dos treinos das pessoas, desde corrida, bike, treinos de reforço muscular. Foi algo realmente muito gratificante.