Emanuel Rolim começou a mostrar o seu quotidiano de atleta no início de 2019. Apesar de não se considerar um Youtuber no pleno sentido da palavra, o atleta do Benfica revela que gosta desta nova experiência, já que é um profundo consumidor da rede social.

Até ao momento, como tem sido a experiência?
É ainda tudo muito recente, mas o feedback de colegas mais próximos tem sido muito bom. Ficamos com um registo engraçado e com uma boa edição acaba por ser mais interessante.

Pontos positivos e negativos neste recente caminho?
Divirto-me, é o principal. Tenho um novo hobby nos meus tempos livres.
Sinceramente, não tenho pontos negativos, só tenho pena de ter-me lesionado e não poder proporcionar vídeos sobre algumas competições no estrangeiro, pois adoro competir fora de Portugal e gostaria de passar essa experiência. Mas, vendo o lado positivo, assim tenho a oportunidade de realizar vídeos sobre a minha recuperação e quem sabe ajudar muitos também a ultrapassar as suas dificuldades.
Tenho tido dificuldade em aumentar os subscritores, mas isto porque as publicações que faço nas redes sociais referentes ao Youtube nunca chegam a atingir os mesmos “likes” que outras. As redes sociais querem que eu promova as publicações para atingir mais seguidores, coisa que ainda não achei ser oportuno, mas é algo a ponderar.

Tinha uma ideia diferente do que está a viver na realidade? Por exemplo, muitas pessoas não dão o real valor aos Youtubers, pensam que basta gravar um vídeo e já está, o êxito aparece. Também era essa a ideia que tinha?
Não me considero um Youtuber, não tenho um número substancial de subscritores para o assumir. Continuo a ser o atleta Emanuel Rolim, em busca de participações em grandes competições e grandes marcas pessoais. Mas sim, não é fácil a edição de vídeo. E quanto mais evoluímos, mais atenção a pequenos pormenores temos para que o vídeo seja o mais profissional possível. Quero que quem veja os vídeos aprecie, desfrute e espere por mais.

LEIA TAMBÉM
Emanuel Rolim, atleta e… youtuber

Em termos de constância, qual a sua ideia de produção? Publica um vídeo numa data específica ou quando consegue?
Neste momento é mesmo quando consigo… Gostaria de ser mais constante, mas ainda estou a evoluir de dia para dia na edição e por vezes atrasa-me o processo. Gostaria de todas as semanas ter um novo vídeo, mas, como já disse anteriormente, o treino está à frente. Com o aumento dos subscritores poderá exigir mais publicações frequentes e quem sabe novos temas.

O que tem aprendido com esta experiência?
Tudo o que nosso desporto proporciona é fantástico! Registar esses momentos para um dia mais tarde poder reviver foi das melhores opções que tomei.

Há alguns atletas que já olham para este “mercado” com alguma atenção, mas a verdade é que ainda são poucos. Acredita que esta via não pode ser benéfica inclusive para o Atletismo em geral, já que aproxima as pessoas dos seus atletas?
Sim! Em um dos mais recentes vídeos falei sobre os atletas que são youtubers. São muito poucos os que conciliam as duas coisas. Ou tens uma equipa por detrás de ti, como o Mo Farah ou a NN Running, ou então és um atleta amador que gosta muito de Atletismo e tens tempo para publicares regularmente, como o Zach Levet.
O Atletismo só tem a ganhar com isto, pois vivemos numa sociedade que cresce em termos desportivos à volta do futebol. Eu costumo dizer que não temos canais/jornais desportivos, mas sim sobre futebol. E eu quero contrariar um pouco isso, chegar às pessoas que se interessam por Atletismo pelo que nós fazemos.

Da experiência que teve até hoje, quais os assuntos que acredita que são os mais procurados pelas pessoas?
Creio que um dos temas que me vou focar mais será na partilha de treinos. Podemos ler muito sobre atletas de topo mundial, mas não sabemos nada sobre os nossos melhores atletas nacionais. Sinto que ainda há muito receio de partilhar o trabalho que os treinadores têm tido, mas isso só tem vindo a prejudicar o nível do Atletismo em Portugal. Ainda existe muita guerra entre clubes e treinadores. Mas, no final, quem sofre são os próprios atletas ao não poderem evoluir em conjunto.

Na quarta-feira, Emanuel Rolim aborda uma das situações mais ingratas do corredor: a lesão…