Ricardo Dias pretende continuar os seus treinos durante a missão que vai realizar em África, algo que acontecerá num trajeto de 2 km, já que não pode sair da base onde estará instalado.

O Ricardo Dias tem noção de como será o seu treino em África?
Vou ter poucas condições para treinar. Segundo dizem os meus camaradas que lá estiveram, tenho uma volta ao perímetro da nossa base com cerca de 2 km. Não vou treinar em alcatrão, vou treinar exclusivamente à volta da base, não há outro cenário porque não podemos sair da base. Mas como muitas vezes cita o comandante da nossa força, «temos que, nas adversidades e nas dificuldades, encontrar oportunidades». E é isso que vou fazer. Quando estiver em África, sempre que puder e sem prejudicar as minhas tarefas, vou fazer o meu treino nas condições que lá encontrar.

Mas depois é fácil regressar aos treinos? É necessária uma grande exigência mental da sua parte?
Fácil nunca vai ser, mas tudo depende como chegarei a Portugal daqui a 7 meses. Vou esforçar-me para chegar o melhor possível para depois voltar rapidamente a rotina que aqui tenho. É difícil prever.

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Quais as metas desportivas futuras do Ricardo Dias após a sua missão em África?
A vida só faz sentido com desafios e metas e tenho as minhas muito bem definidas porque só assim faz sentido viver. E eu adoro o desafio! Quando não temos objetivos, não andamos cá a fazer nada. Eu posso afirmar que tenho metas ou desafios muito difíceis, mas acredito que ainda tenho condições para os concretizar.
Quero voltar a preparar uma Maratona e fazer um bom resultado, quero voltar a estar entre os melhores de Portugal nos campeonatos nacionais e, se possível, melhorar os meus recordes pessoais, principalmente nas distâncias de fundo.

Certamente que terá muitas saudades da família e dos amigos. Como trabalhar esse lado emocional numa missão de sete meses em África?
Isso é outro grande desafio duro que terei pela frente, deixar a família para trás é algo muito duro. A minha família foi sempre o meu suporte. Grande parte do meu êxito aconteceu devido ao apoio familiar e aos meus verdadeiros amigos.
Este afastamento será mais complicado por acabar de casar, no passado dia 11 de setembro. Mas tenho que me concentrar na minha missão, usar o treino nos tempos livres como terapia e esperar que tudo passe com naturalidade e tranquilidade.
Tenho a certeza que vai ser uma experiência incrível e mais um teste às minhas capacidades físicas, militares e emocionais.