Rafaela Fonseca, do Clube Desportivo S. Salvador do Campo, estreou na Maratona com um triunfo, uma vitória especial, já que conquistou o título nacional da distância. No entanto, o seu tempo final, 2h51m37, não a agradou, fruto de uma má digestão, mas também do percurso em si. 

Primeira Maratona, primeira vitória e logo com um título nacional. Uma estreia de sonho?
Fiquei muito feliz com o título, não considero uma vitória de sonho, porque tive alguns problemas na segunda metade da Maratona que me limitaram e sofri para terminar. Não era este o tempo que previ, mas no final de tudo foi bom ter terminado e ter ganhado o título.

E qual o tempo que imaginava?
Correr para 2h38m00,  2h40m00.

Como foi a sua preparação. Quando começou, volume médio por mês, etc.?
A preparação teve uma duração mais curta que o normal porque, quando a prova foi anunciada, já só faltavam cerca de 9 semanas.
Com as restrições da pandemia, não foi fácil os treinos, porque não tinha acesso à pista da Maia e então foi preciso adaptar às vezes.
Fiz uma média de 170 quilómetros por semana

Concretamente, como correu a prova da Rafaela Fonseca? Poderia resumir a sua corrida?
A prova correu bem até aos 25 km, no ritmo desejado. Depois, quando ingeri o abastecimento, aos 25 km, comecei a ter dores muito fortes de estômago, o que limitou o meu ritmo. Mesmo abrandando o ritmo, as dores não passaram. Cometi alguns erros com o abastecimento, penso que ingeri gel a mais. Como sabia estar na posição para ser campeã de Portugal, tentei aguentar com ritmo lento para terminar a prova.

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Em relação ao muro, chegou a confrontá-lo?
Como fazia uma corrida cautelosa, por ser a primeira Maratona e como tive o problema do estômago, não cheguei a sentir o muro.

Confessou que o trajeto não foi fácil, algo aliás compartilhado por muitos atletas. Piso irregular, muitas curvas, subidas e descidas. O que poderia falar sobre o percurso?
Realmente o percurso não foi o melhor. Subidas, descidas, muitas curvas e muito vento, o que complicou ainda mais o nosso desempenho.

Compreende a escolha deste percurso por parte da federação?
Se a federação procurasse mais cedo, talvez pudesse arranjar um melhor sítio. No entanto, pelo que percebi, estiveram quase até à última a ver se Aveiro mudava de ideias e autorizava a prova, o que não aconteceu. Não foi o melhor, mas ao menos o campeonato foi realizado.

Acredita que o seu tempo final acaba por espelhar estas dificuldades ou a Maratona ditou as suas leis?
O meu tempo final deveu-se mais ao meu problema de estômago, senão poderia ter feito melhor marca, já que estava a sentir-me fisicamente bem. Todavia, devido às condições do percurso, talvez não conseguisse fazer o tempo que estava à espera.

Até que ponto o seu tempo não a agradou?
O meu tempo não me agradou porque sabia que poderia fazer melhor. As dores de estômago limitaram-me imenso e até hoje ainda recupero da corrida. Mas as pernas já estão bem.