Uma das provas mais significativas do país, a PT281+ está de regresso entre 22 e 25 de julho. Este ano, a prova terá um novo final, a praia fluvial da Aldeia Ruiva, em Proença-a-Nova, como confessou o diretor da Horizontes, Paulo Garcia.

Devido ao tempo de pandemia que vivemos, esta foi a edição mais complicada de colocar em pé?
Foi! O ano passado foi tudo uma novidade. Este ano, depois de toda a experiência vivida, esperávamos muitas mais facilidades mas tal não aconteceu. A conjuntura que vivemos e a proximidade de umas eleições não facilitaram em nada a tomada de decisões.
Outro enorme problema foram o aumento dos custos de produção, mais 36% do que em 2020. E se no ano passado foi difícil honrar compromissos, mas com esforço conseguimos, este ano tivemos que prescindir de alguns serviços à última hora. 

E que medidas de segurança sanitária têm em conta? Foi complicado gerir esta prova com as normas da Direção-Geral de Saúde?
As medidas são as emanadas pela DGS e não foi nada complicado. Foi até muito simples, já que as condições de base estão há muito definidas. Hoje, todos estamos cansados da máscara, de esta e outras regras, mas todos temos a consciência de que temos de ter cuidados, especialmente com os outros. Esse respeito é a norma neste tipo de corredores. 

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E após um período muito complicado, qual a sensação que sentem a poucas horas do início da prova?
Muito ansiedade! É muito longa a distância da corrida e muitas horas de diferença entre o primeiro e o último. Temos que nos manter atentos ao que se passa no terreno durante 66 horas. Temos bases de apoio a servir os participantes durante 33 horas! São mais de 100 pessoas envolvidas no evento. 

E o que podem falar desse mesmo evento? O que há de novo?
Diz-se que, quando se vence, não se deve mexer na equipa ou na estratégia. Melhorámos pequenos aspetos no percurso, fizemos ajustes para permitir uma melhor navegação com o GPS e vamos terminar na praia fluvial da Aldeia Ruiva, em Proença-a-Nova. Aqui a novidade! Nunca terminamos numa praia fluvial. Isso vai permitir uma maior interação entre quem chegou e quem vai chegar. É um lugar bonito, tem um restaurante e toda a família PT281+, apoios, amigos e participantes, têm com que se ocupar. 

E tiveram alguma preocupação especial este ano com algo que, nos anos anteriores, não era um dos vossos focos?
A nossa preocupação, neste e em qualquer outro evento, é melhorar o que não esteve bem na edição anterior. Nem sempre conseguimos, mas fazemos sempre por isso.

Ao longo destes anos, o que aprenderam com o PT281+?
Levamos enormes lições de humildade, de olhar para o mundo com outros olhos e de capacidade de se conseguir fazer o que nos propomos.
Nunca vou esquecer a lição de vida que levei do Vítor Rodrigues: perseverança. Ou aprender com o Serginho Melo, que somos aquilo que queremos. Não esqueço o Vladmi, atleta invisual, que nos mostrou que querer é poder.
Todos os participantes são conhecimento e saber e com todos temos muito que aprender.

FOTOS: PT281+