Paulo Paula regressou ao seu país há pouco tempo, depois de passar o Inverno e o início da Primavera em Portugal. Como aconteceu aqui, também no seu país tem corrido de máscara.

Tem corrido sempre com máscara, em todos os treinos?
Sim! Na minha região, onde moro, há vários caso da Covid-19 e por isso estou a ter as precauções necessárias para evitar o pior.

E recorda quando correu pela primeira vez de máscara e qual foi a sua sensação?
Na realidade já estava a treinar de máscara em Portugal. No entanto, com a situação que estamos a viver no Brasil, decidi continuar a utilizar. Não me custa muito, já que, no Inverno de Portugal, corria com máscara devido ao frio. A verdade é que tudo é adaptável e nós vamos ter que conviver com a Covid-19 por mais algum tempo. Ou seja, não é nada de outro mundo correr com máscara.

Mas a adaptação do Paulo Paula a correr com máscara foi mais complicada do que imaginou? Qual a principal dificuldade que sentiu nos primeiros dias?
Pessoalmente, não tive nenhuma complicação. No início, talvez alguma dificuldade na respiração, mas logo acostumei ao uso da máscara. Foi algo tranquilo.

Publicado por Paulo Paula Oly em Quinta-feira, 7 de maio de 2020

Em média, o Paulo Paula costuma correr quantos quilómetros com máscara? Por exemplo, corre um treino de descompressão de 5 km mas já não o faz a partir dos 10 km em diante?
Não, todos os treinos são realizados com a máscara, até por estar a fazer treinos de manutenção, já que não há competições nos próximos tempos.

Concretamente, qual máscara utiliza? Descartável, de pano, de pano com filtro, etc.
Mas utilizo muitas vezes a máscara de pano, que a coloco para lavar no término do treino. É uma máscara que comprei para o frio em Portugal, mas que a utilizo hoje como proteção ao coronavírus. Correr com ela no Brasil é um pouco desconfortável devido ao clima, com temperaturas ainda entre 20 e 34 graus, dependendo da região. Mas evidentemente que correr sem ela é outra coisa…

E qual o seu sentimento de segurança no Brasil comparado com o de Portugal, quando treinava por cá?
Em Portugal fiquei 3 semanas sem treinar na rua, já que o treino foi dentro de casa. Depois iniciei o treino exterior em um único período do dia, sempre com o uso da máscara. No Brasil apenas mantive essa tendência. A verdade é que a insegurança está em todo o lugar em que as pessoas não respeitam as normas de saúde, seja em Portugal, no Brasil ou em outro local do mundo. Todos estão a sofrer com esta pandemia.

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Na sua opinião, como o Mundo da Corrida vai se reestruturar com o momento no qual estamos a viver? Por exemplo: provas com menos inscrições? Provas com todos os corredores com máscara? Corridas apenas com atletas de elite? Sem eventos até ser encontrada uma vacina? Partidas com mais blocos? E por aí vamos…
Acredito que será muito difícil realizar uma prova caso não se encontre uma vacina. Não acredito que exista tão cedo competições com números de participantes com 50 mil pessoas ou mais, por exemplo. Provavelmente, as corridas terão somente atletas de elite no futuro próximo.

O Paulo Paula vai continuar no Brasil nos próximos tempos ou regressará a Portugal?
Espero regressar a Portugal quando tiver algo de concreto em relação às competições, até por ter hoje residência no país.

E como está a sua situação desportiva em Portugal?
Até ao momento não mudou nada, até porque tenho pessoas que não veem o Paulo Paula como atleta. Todos os meus patrocinadores me adotaram nas suas famílias e deste modo Portugal será sempre um local especial, não só um país de oportunidade.