O diretor da Horizontes, Paulo Garcia, acredita que a PT281+, um dia (quem sabe este ano?…), terá como vencedor da classificação geral uma atleta. Este ano, o evento superou o seu recorde de participação feminina.

Teremos este ano nove atletas femininas. O que isso significa para a organização?
Este é o verdadeiro empoderamento feminino. Elas querem e as coisas acontecem. Tem acontecido crescimentos em todas as nossas provas. Algumas quase foram vencidas por elas.
Não é novidade para nós. Sabemos que é um mundo que cresce muito e cada vez com melhores resultados. Há muito que temos trabalhado para isso, para que as ultramaratonas não sejam vistas apenas como um terreno de homens. 

Em algumas provas, já há aqui e ali mulheres a vencerem a classificação geral destas grandes distâncias. O Paulo Garcia acredita que isso poderá acontecer um dia na ultra PT281+?
Temos a certeza que sim! Haverá uma edição em que isso irá acontecer. Elas são cada vez mais velozes e mais resistentes. Basta um dia tudo se conjugar, porque nestas distâncias não basta só o físico, e uma mulher irá vencer esta prova. 

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Qual a diferença que notam entre as atletas femininas e as masculinas?
Sinceramente? Nenhumas. O que os separa agora é a experiência acumulada e o tempo que dedicam ao treino. 

Outro facto interessante é a presença do Jorge Andrade, que marca assim a participação em todas as edições. Qual a importância desse facto para o Paulo Garcia, ainda mais sendo a PT281+ uma ultra com esta distância?
Para nós é uma imensa alegria saber que alguém vem por muito mais que a prova. O Jorge não se frustra com isso e aproveita para fazer amigos. O Jorge sabe que aqui é mais um elemento da família PT281+. O Jorge trouxe uma coisa muito importante a todas as corridas do mundo: desistir não é vergonha. Desistir é um ato de inteligência. O Jorge, este ano e nos anos anteriores, tem todos a torcer para que ele termine. E, no dia em que ele terminar, não o queremos mais como corredor, mas como voluntário.
Algo nos diz que o Jorge termina a prova este ano…

Costumam ouvir o feedback desses atletas repetentes? Este foi o vosso principal segredo?
Isso não é segredo, é atenção! São eles que correm, são eles que desfrutam do caminho e é de legítima obrigação ouvir o que têm para nos dizer e, sempre que possível, colocá-las em prática. E qual a principal mudança que fizeram após uma indicação de um atleta?
Já fizemos muitas. Estamos sempre a fazer e por isso não há uma em especial. Sempre que for para melhorar a experiência, o fazemos.

FOTOS: PT281+