Paulo Garcia, organizador da Portugal 1001 – Real Lendário, que começa no próximo dia 26 de setembro, acredita que as “Maraturistas” deverão ser o foco da sua empresa no futuro. 

Porque 14 etapas e não 14 dias para terminar a Portugal 1001?
Porque esse não é o nosso propósito. Pensamos nisso, mas o nosso futuro não passa por esse tipo de experiências. Este formato é, na nossa perspetiva, mais saudável. No final do dia todos nos encontramos, jantamos juntos, convivemos, trocamos experiências. Quando tudo terminar, essa experiência de contactos e vivências acrescenta-nos algo mais. Assim, de forma muito simples, hoje consigo viajar para mais de 20 países e, muito provavelmente, terei um residente à minha espera no aeroporto. Isso consegue-se em provas com poucas pessoas e onde seja permitido um contacto mais próximo e demorado. Ter 14 dias “non stop” significa que o primeiro já estará no seu país, que pode ser o Japão, e o último ainda não chegou. Faça-se um paralelo com a PT281 e percebe-se isso. O último a cruzar a meta, este ano, chegou 26h34 depois da Claire Bannwarth. Estrapole-se isso para 14 dias e 1000 km… 

As denominadas "Maraturistas", termo denominado por Paulo Garcia, serão o futuro das corridas?
As denominadas “Maraturistas”, termo denominado por Paulo Garcia, serão o futuro das corridas?

Tem experiência em provas de longas distâncias. O que a Portugal 1001 trouxe de diferente em termos de organização?
Dividir o percurso em etapas é a grande diferença. A outra é encontrar soluções de percurso que permitam o sucesso. Uma prova “non stop” como a PT281, apesar da premissa sucesso estar também presente, exige outro tipo de gestão. Um erro pode ser o fim. Na PT1001 – Real Lendário temos sempre uma noite de descanso, várias refeições. Dá para corrigir erros, recuperar energias.

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Como vê a Portugal 1001 no futuro? O que esperam dela?
Vemos, juntamente com a PT281, a Descaminhos, em Minas Gerais, e o Jalapão Ultramarathon, como os nossos eventos fortes e capazes de movimentar pessoas de vários pontos do mundo. Não são estes os únicos que realizaremos nos próximos anos, temos o Oh Meu Deus, o Proença Cross Trail, o Portugal Cross Country e também o Portugal Bike Race, mas são estes que maior destaque terão nesta comunidade mundial de “Maraturistas”. 

Mas a ideia é termos, ano após ano, novos percursos/etapas?
A ideia é consolidarmos um percurso. Vai demorar algum tempo, o que nos obrigará a ter mudanças durante algumas edições, mas se esta tiver sucesso, se o retorno dos participantes for positivo, para quê mudar? Nunca será igual! São 1001 km, muita propriedade a mudar de donos, muita coisa a mudar do Inverno para o Verão. A natureza também terá o seu papel neste desenho do traçado. 

Fotos: Facebook