Paulo Barbosa tornou-se recentemente campeão nacional de Corta-mato curto, um título que surpreendeu tudo e todos, inclusive o… próprio.

Uma semana depois, ainda acredita estar a viver um sonho ou já encara a realidade de ser o novo campeão nacional de Corta-mato?
Sinceramente, uma semana depois deste título, vejo aqui toda uma recompensa de todo o trabalho que tenho vindo a desenvolver ao longo de vários meses. E, apesar de saber que trabalhei muito e lutei muito para alcançar esta conquista, não esperava conseguir alcançá-la naquele dia e custou acreditar que era realidade. Mas hoje sei que é real e que tenho de continuar a trabalhar mais e não me dar por satisfeito com este título, até porque há muito mais metas alcançar.

Mas, sinceramente, sonhava em ser campeão nacional de Corta-mato?
Nesta modalidade, quem não sonha um dia poder arrecadar um título nacional? Não estaria a ser sincero se dissesse que não tinha esse sonho, mas não contava que fosse já no Corta-mato da Figueira da Foz, até porque, a nível de adversários, estavam presentes atletas de grande valor e que se encontram a atravessar um grande momento de forma. E sabia que, para lhes poder ganhar, teria de dar o meu melhor e que mesmo assim não seria fácil… Mas mesmo assim não perdi a esperança e nunca desisti de alcançar esse sonho.

Acredita ter sido positivo não ser um dos favoritos da prova?
Sim, o facto de não ser um dos favoritos libertou-me de alguma pressão e me permitiu concentrar a 100% na corrida, sem aquele nervosismo e sem aquele medo de desapontar todos aqueles que me apontavam como um dos possíveis vencedores.
No fundo, o não ser um dos favoritos foi um ponto a meu favor porque permitiu-me desfrutar de cada metro naquela prova.

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Poderia recordar como foi a sua corrida?
O objetivo da minha corrida, até ser dado o tiro de partida, passou sempre por ajudar ao máximo o Maia AC na luta por um lugar no pódio, enquanto que, a nível individual, chegava ao Campeonato Nacional com o objetivo de lutar pela medalha que, há um ano, na Marinha Grande, tinha perdido nos metros finais.
Já na linha de partida tentei sempre partir da melhor forma para que me permitisse manter ali no grupo da frente e foi exatamente o que aconteceu. Depois, com o correr da prova, procurei sempre me manter no grupo da frente, até ao momento em que o meu colega Nuno Costa, à entrada para a última volta, decide mexer na prova. Acabamos por assumir a liderança da mesma, mas sempre atentos aos movimentos dos adversários. Já nos metros finais, onde o percurso tinha imensa lama, eu sabia que estava bem e que o terreno era ao meu gosto. Decidi então atacar e arriscar tudo atrás da vitória, onde acabei por a alcançar num duelo até a linha de meta contra o meu colega Nuno.

E ganhou o título por um segundo. Como foi esse duelo com o colega de clube Nuno Costa?
Foi um duelo que ficará para sempre na memória, não só pelo título alcançado, mas também por o ter disputado até ao fim com um colega de equipa, acima de tudo um excelente amigo. Ao contrário do que muitos pensam, eu e o Nuno não planeámos nem definimos qualquer tipo de estratégia. A única coisa que existia era dois colegas de equipa que procuravam ajudar o Maia AC da melhor forma possível. Todo o resto surgiu de forma espontânea e com o decorrer da prova. Mas é verdade que foi bom, no final, poder dividir o pódio com o Nuno, não só por ser um colega/amigo, mas também pelo atleta que é, por tudo aquilo que já conquistou.

A vitória de Paulo Barbosa no Corta-mato curto da Figueira da Foz, por um segundo
A vitória de Paulo Barbosa no Corta-mato curto da Figueira da Foz, por um segundo

Como se ganha uma prova por um segundo?
O segredo para esta vitória tão apertada deve-se a todo o apoio que houve da parte de fora da prova e de uma enorme vontade de querer ganhar, de nunca ter desistido do sonho que tinha de ser campeão nacional e de poder dar uma recompensa a todos aqueles que estão comigo diariamente.

Em termos globais, como o Paulo Barbosa analisa o Nacional de Corta-mato curto e os resultados alcançados?
Em função dos resultados, acho que podemos chegar a conclusão que afinal o Atletismo nacional tem vários jovens com talento e que temos atletas que, com o trabalho certo, com o devido acompanhamento e apoio a que a modalidade deve ter, o nosso Atletismo pode voltar a ser o que em tempos já foi.

A sua má prestação no Europeu de Corta-mato em Lisboa foi determinante agora para a sua boa prestação? Até que ponto essa desilusão tornou-se essencial para o seu triunfo?
Sinceramente, não acho que a má prestação no Europeu de Corta-mato tenha sido determinante neste resultado, até porque, no Europeu, eu sabia que estava bem e que era capaz de o correr de início ao fim a um bom nível, como foi a prestação dos meus colegas, que estão de parabéns pelos excelentes resultados. Só que o facto de ser o primeiro Europeu, a falta de experiência em provas deste nível, o nervosismo, etc. foi todo um misto de acontecimentos que acabaram por ser determinantes no desfecho da competição.
É verdade que saí de lá revoltado e desiludido por não ter acabado, mas no fundo acabou por ser uma boa experiência e uma enorme aprendizagem, que me deu ainda mais vontade de lá voltar e demonstrar de tudo aquilo que sou capaz. Logo, essa desilusão não foi o fator chave deste título de campeão nacional, mas deveu-se a um forte trabalho diário.

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