Nuno Mara correu recentemente 220 km em quatro dias, numa iniciativa que onde procurou «alertar e consciencializar a sociedade para a existência de mais de 7000 doenças raras». No total, foram 27 horas a correr entre Vilar Formoso e Aveiro.

Como surgiu a ideia e o que foi a Corrida Solidária?
A ideia surgiu da necessidade de alertar e consciencializar a sociedade para a existência de mais de 7000 doenças raras. Uma delas, a ataxia cerebelosa, afeta uma das pessoas mais importante da minha vida, o meu pai! Para a investigação científica desta e de todas as outras doenças raras são necessários vários milhares, se não milhões de euros. Cabe aos diferentes governos da Europa canalizar da chamada bazuca uma parte para a criação de bolsas de estudo destinadas aos cientistas da área! Optei por divulgar/angariar fundos e bens de primeira necessidade para a Associação Ajudar a Amparar Os Príncipes de África. Esta associação, que tem como fundador o Hamilton Costa e presta um serviço muito importante à comunidade de São Tomé e Príncipe, é uma causa nobre, que minimiza algumas dificuldades das famílias e instituições carenciadas da ilha. Deveriam é “clonar” o Hamilton (risos)…

No total, foram 220 km em 4 dias. O Nuno Mara tinha corrido tanto em tão poucos dias na sua vida?
Não, longe disso! Foi também uma prova de superação pessoal. A nossa mente, estando bem preparada, é meio caminho para arriscar algo fora da caixa!

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Qual a sua média de km por treino? E já tinha corrido mais de uma Maratona?
Para esta Corrida Solidária tive de aumentar o número de quilómetros e a gestão de esforço foi a prioridade. Na sua maioria, os treinos foram realizados depois do trabalho. A média anterior ao mês de abril rondava os 50/60 semanais, divididos em 10, 15 ou 21 km. No meu currículo tenho 4 maratonas oficiais desde 2018: Lisboa, Funchal, Aveiro e Porto. Só uma vez ultrapassei, e a muito custo, essa barreira dos 42,195 km.

Como foram esses quatro dias? Distâncias de cada etapa, pontos positivos e negativos para o Nuno Mara, etc.
Foram quatro dias de superação e as distâncias foram divididas de forma a poder gerir alojamento. A primeira etapa, sozinho, foi de Vilar Formoso (Fronteira) a Celorico da Beira (aproximadamente 76 km); a segunda, na qual já contei com a ajuda de amigos do Grupo Tartarugas & Lebres RUNNING, de Viseu, ao qual tenho orgulho de também pertencer, foram 58 km até casa (Celorico-VISEU); a terceira, e já com mais amigos na estrada, foram 47 km até Porcelhe (Oliveira de Frades); e a etapa final, 48 km e debaixo de um temporal (depressão Lola), contei com a ajuda do ultramaratonista David Cardoso para o apoio com a sua viatura mas que, de vez em quando, corria ao meu lado, embora regressasse depois ao carro (risos). Foi um importante apoio até à meta, a cidade de Aveiro! O que não esqueço ainda hoje foram as lágrimas de descompressão à chegada no abraço e conforto da minha irmã!
O que retiro de mais positivo desta experiência foi a sensação de levar o corpo a níveis jamais alcançados! Já pelo lado negativo, algumas pessoas que prometeram apoios e acabaram por falhar!

Para este desafio, como foi o seu plano de treinos? Além dos 220 km, decidiu correr 1000 km em abril. Porquê?
O meu plano foi uma forma de me obrigar a uma preparação séria, assumir o compromisso de correr 1000 km em abril, que denominei ABRIL KMS 1000. Foram 21 dias de treino intenso depois do trabalho, corri uma média de 3 horas por dia. No final de abril terminei com 789 km, uma média de 26 km/dia. 

Estas iniciativas pessoais são importantes para os corredores continuarem ativos segundo o Nuno Mara?
Sem dúvida que estas e outras iniciativas do género fazem a diferença na vida dos atletas. Por exemplo, no nosso Grupo Tartarugas & Lebres RUNNING, e com o mérito do mentor David Cardoso, criámos uma competição durante o tempo de confinamento, uma SuperLiga controlada através de uma plataforma conhecida. São todos contra todos e faltam 2 semanas para terminar! Vale tudo para substituir o frenesim da falta de  competições