Se há estrada presente no imaginário de todos em Portugal é a N2, entre Chaves e Faro. Agora é possível descobri-la a correr (mas também a andar, de bicicleta, etc.) através da Missão N2. Falámos com Sérgio Miranda, gestor de missões da RunSquadOPO.

Como surgiu a ideia da Corrida Virtual N2 – Chaves/Faro?
Queríamos fazer algo diferente, que contribuísse para manter a motivação para treinar por um período alargado de tempo e não apenas uma corrida! Ao mesmo tempo, os 739.260 metros de estrada da N2, pelas nossas contas rápidas, permitiam um desafio exequível para quem treina corrida regularmente e, porventura, usa a bicicleta no dia a dia ou como meio complementar de treino. Depois acabou por ser uma  conjugação de fatores: 

  • concordarmos em pleno com o apelo ao turismo ‘Cá dentro’ 
  • conhecermos francamente bem o território
  • o facto de, na RunSquadOPO, sermos com que evangelizadores da expressão ´Movimento é Saúde’ 
  • conhecermos e testado a tecnologia envolvida 

Por último, um grande fator impulsionador: o gestor/criador desta missão está inibido de trabalhar no seu sector nesta fase, já que é guia de turismo ativo na região Porto e Norte, em corrida e em bicicleta, encontrando aqui uma oportunidade para continuar a fazer o mais gosta: mostrar o país a pessoas ativas.

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Os motivos para a escolha da N2?
Porque sabemos que a N2 espelha a riqueza e diversidade do interior do país. Percorrer esta linha média, aproveitando ou não os pequenos desvios na rota, será sempre uma forma de conhecer as magníficas paisagens e ter contacto com os diversos sotaques com que falamos português. E porque sentimos que muitos de nós, sobretudo quem vive no litoral, não conhece realmente o território.

E como funciona este desafio?
O desafio é o de somar todos os quilómetros percorridos com o nosso esforço para completar os 739 km da N2 até dezembro. Estes km já eram por nós registados no relógio GPS ou nas plataformas e apps mais usadas (Strava, Apple Health, etc.), por isso basta sincronizar com uma nova app, aquela em que esta missão vai decorrer. Para não desperdiçar nenhum km por falhas na bateria, poderá a pessoa registar manualmente o treino. Na nossa app, para além das estatísticas, pode ver com o Google Maps e Google Street View a posição atual e a dos companheiros de missão mais próximos!

Quais as diferenças deste desafio em relação a tantos outros que encontramos na internet em tempo de pandemia?
A lista é bem longa, por isso vamos por pontos:  

  • Diferença 1: este é um desafio de nova geração, com recurso a uma app que integra o Google Maps e Google Street View. Esta aplicação permite ao participante ver a sua progressão no mapa e a dos outros
  • Diferença 2: ao longo da missão, a/o participante tem acesso a um conjunto vasto de informação sob a forma de texto e links, podcasts, fotografias, informação que desbloqueia à medida que atinge pontos pré-definidos no percurso. Queremos espicaçar a vontade de todos de ir conhecer os locais atravessados pela Nacional 2!
  • Diferença 3: não há ranking, classificações ou prémios – somos apologistas de que o treino para amadores se deve centrar mais na saúde e menos na competição
  • Diferença 4: quase tudo está automatizado e não é necessário enviar comprovativos de realização de distâncias. O compromisso é de cada um consigo próprio. Este desafio é só um instrumento extra de motivação
  • Diferença 5: sendo uma missão sem emissões de carbono, prescindimos do tradicional kit com merchandising, apelando à sustentabilidade. No entanto, sendo um desafio tão longo e difícil para muitos, quisemos que todos os que completem a distância recebessem em casa uma medalha produzida em Portugal com cortiça, produto que é tão abundante e visível em duas das regiões atravessadas pela N2, Trás-os-Montes e Alentejo
  • Diferença 6: ao contrário das corridas virtuais, este é um desafio para semanas ou meses, a preço baixo (o preço de lançamento será de 14 euros). E é compatível com qualquer plano de treinos que a pessoa possa eventualmente estar a seguir

Na terça-feira, a segunda parte da entrevista com Sérgio Miranda.