Miguel Lopes começa no próximo dia 5 de junho, a meia-noite de sexta-feira para sábado, em Chaves, o desafio N2 Challenge. A estratégia passará muito por correr durante… a noite.

Como foi a sua preparação?
Uma preparação para esta aventura é sempre um pouco penosa, muitos quilómetros, muitos treinos funcionais, muitas horas roubadas a cama, família e amigos. Mas quando a vontade de sonhar é alta e grande, tudo vale a pena!
Felizmente tenho as pessoas certas comigo e que, além de ajudar-me, também nunca me deixam desanimar, pois há de tudo em volta de todo o processo, inclusive momentos complicados e desanimadores!

Evidentemente que deve ter mentalmente o percurso estudado. Poderia resumir o que espera encontrar?
Os meus amigos das bicicletas já me puseram a par das dificuldades, desde as “paredes” iniciais de Chaves a Lamego e as enormes retas do Alentejo. Mas tenho a certeza de que fiz uma boa preparação e acredito no trajeto que fiz até chegar onde estou.

Em termos de nutrição e hidratação, também poderia falar um pouco sobre estas duas temáticas? Qual a estratégia que pretende utilizar?
A minha suplementação é toda feita na marca Aptonia, da Decathlon, na qual confio a 100%, tanto em nível de qualidade como de total adaptação ao meu desafio. Não é muito fácil descrever como irá funcionar, pois as condições climatéricas também  irão interferir em todo o caminho, mas tudo foi estudado e preparado ao pormenor.

E sobre a corrida em si?
Há uma pequena estratégia montada e espero que resulte, uma estratégia que passa muito por correr de noite o máximo possível e alongar ao máximo consoante o corpo deixar!
A distância é longa e muito se vai passar ao longo dos dias!

Muito da estratégia de Miguel Lopes para a N2 passa pelo seu equipamento
Muito da estratégia de Miguel Lopes para a N2 passa pelo seu equipamento

Pretende correr sempre um número de quilómetros por dia?
A ideia, e conforme a estratégia traçada, é correr ou caminhar e, ao fim de cada 48 horas, descansar 1h00 na autocaravana que irei ter de apoio logístico. Isto nos primeiros 4 dias. Depois o caminho ditará a progressão até Faro. Ao longo dessas 48 horas, fazer pequenas paragens para reforço e necessidades fisiológicas, mas sempre curtos espaços de tempo.
O desafio é enorme mas não me assusta, sempre fui de encarar os desafios de peito aberto, sem medo de nada! Sempre foi esse o meu ADN.

Em termos de segurança, quais as medidas que está a tomar, já que a estrada tem pontos perigosos em termos de trânsito?
É verdade, a estrada é, de facto, perigosa e com pouca berma. Mas a autocaravana e o apoio logístico fará a minha segurança 

Do seu ponto de vista, qual será o principal problema a ultrapassar?
Sem dúvida, a privação de sono é sempre um problema. Mas até isso treinei e espero que corra como planeado! 

Como foi a recolha de informação sobre o percurso por parte do Miguel Lopes para definir a estratégia para o desafio da N2?
Os amigos! Sendo verdadeiros, os amigos são tudo na vida. Como diz o ditado: «Quem tem amigos, tem tudo!»

Quais provas fizeram com que esteja hoje aqui preparado para este desafio?
Já tenho algumas aventuras engraçadas, como duas participações no Ultra Trail Mont Blanc, nos Pirenéus, além de algumas provas em Espanha.
Em Portugal, tenho as provas mais longas, como o PT 281+, duas vezes os 300 km do ALUT, os 400 km da Travessia Póvoa de Varzim-Lisboa, os 200 km onde fui o Viriato da 9.ª edição do Oh Meu Deus, na Serra da Estrela.
Mas, mais do que as provas, gostaria de deixar uma palavra de gratidão a todos que fazem do meu caminho também os deles, pois sem eles nada disto seria possível.