Miguel Lopes vai correr entre a Póvoa de Varzim e Lisboa na sexta-feira. No total, serão cerca de 400 km em non stop, sem nenhuma paragem. Uma quilometragem jamais corrida pelo ultramaratonista, mais acostumado com a terra do que o asfalto…

Como surgiu a ideia do Miguel Lopes correr entre a Póvoa de Varzim e Lisboa? E qual o motivo?
A ideia já tem 2 anos e teve como base a Clássica que havia em bicicleta que ligava as duas cidades. Como resido na Póvoa de Varzim, foi mais um motivo para aumentar a distância e me tentar superar e ultrapassar a minha barreira, que é o ALUT 300 km. O motivo foi a falta de provas e tentar ao máximo me desafiar numa época agradável de tempo, apesar que aqui a Norte chove…

E a escolha do trajeto? Como surge?
A escolha do trajeto foi outro desafio, pois não gosto de estrada. Adoro o Trail running e daí as minhas maluqueiras!

E como será a logística da corrida?
A logística será feita por um pacer de bicicleta, elemento ao qual pertenço, o Vasco dos CB RUN, que me ajudará!
O desafio poderá ser acompanhado, quer através da Stop and Go como pelo track que está disponível.

Já tem algumas provas de grande distância no seu currículo. Acredita que este desafio será um dos mais duros?
Depois de ter feito a PT281 em 2017, que, para mim, foi a mais dura física e mentalmente pelos 45 graus que estavam na prova, desta vez vou sem cariz competitivo, o que altera por completo a nossa postura. Vou tentar aproveitar e relaxar ao máximo os quilómetros, a viagem!

Mas qual a Ultra que não esquece?
Apesar do Mont Blanc, Pirinéus, PT281+, etc., a prova que mais me fica pela positiva é o ALUT por variadas razões. Saí de lá com uma família emprestada e isso jamais vou esquecer. Foi uma prova que ficou gravada na pele e na mente e estará comigo onde estiver e na qual irei voltar sempre!

Miguel Lopes começará o seu desafio na sexta-feira e poderá terminar o mesmo no domingo
Miguel Lopes começará o seu desafio na sexta-feira e poderá terminar o mesmo no domingo

E o que retira das ultradistâncias para a sua vida?
Retiro destas experiências a parte da superação pessoal. Saímos outras pessoas de cada viagem e acabamos por enfrentar os problemas do dia a dia de outra forma. Melhor, muito melhor!

Como foram os seus treinos para este desafio em concreto?
Não encaro os treinos diferentes do dia a dia habitual porque o corpo e a mente preparam-se diariamente, a cada dia que passa. Quando nos propomos a fazer algo temos a certeza de que estamos à altura do desafio, apesar de que, no dia da prova/desafio e apesar de estarmos bem, tudo pode acontecer!

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Qual o tempo que espera alcançar?
Como referi atrás, por não ser competitiva e ser solidária, encaro este desafio de forma natural e responsável, nunca descurando a segurança e a sensatez. O objetivo são os 400 km, mas não como uma obrigação a nível pessoal. Já me conheço o suficiente e sei que vou chegar a Lisboa cansado mas super feliz por ter alcançado o objetivo de ajudar a Associação Salvador, além de ter as pessoas certas ao meu lado!
A verdade é que todos correrão comigo nesta «viagem solidária», não esqueço uma sequer…