Consultora desportiva e assessora online, Morgana de Oliveira, de 42 anos, defende que a Meia-maratona é a distância ideal para conciliar com o dia-a-dia. Nos seus pés, mais de 300 provas, entre elas 15 Maratonas.

Como começou a sua relação com a corrida? Foi o seu primeiro desporto, por exemplo?
Comecei a correr na infância, participando de provas de 100 e 200 metros, mas não foi o meu primeiro desporto. Iniciei na natação, que ainda hoje pratico, mas não de forma competitiva, como acontecia quando era mais nova. Na adolescência participei de várias competições e, ao longo da minha vida, pratiquei outras modalidades, como voleibol, ténis e triato. No entanto, a corrida foi sempre a minha maior paixão.

E como eram essas primeiras corridas, o que recorda?
Um facto curioso sobre este início é que, antigamente, as provas eram poucas e não dispúnhamos da tecnologia por chip para registar os nossos tempos. Recebíamos o dorsal com o nosso número no peito e, com ele, alguns papéis com a mesma numeração, a qual chamávamos de senha. Ao passar por determinados pontos, tínhamos de as colocar num saco plástico, geralmente segurado por um membro da organização. Era uma prova de que o atleta havia passado realmente por aquele local, um ponto de controlo.
Mas, em muitas provas, a classificação era feita pela “apuração no espeto”, quando os atletas entregavam as senhas ao “fiscal”, que as fixava num espeto de acordo com a ordem de chegada. No final, virava-se o espeto e tínhamos assim a ordem de chegada. Como o número de corredores era infinitamente menor na época, esse formato era uma metodologia viável.

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O que a corrida tem de especial, na sua opinião?
A corrida traz-nos muito aprendizado. Costumo sempre fazer um paralelo da corrida com a vida. É realmente a metáfora da vida. Só conseguimos extrair dela o que colocamos, não há mágica na corrida, é preciso treino, disciplina e determinação para atingir os resultados.
Dá-nos uma lição de humildade, constatamos a nossa limitação diante de uma subida desafiadora e ensina-nos a termos disciplina, aperfeiçoa-nos fisicamente e, como seres humanos, ensina-nos a sermos mais resilientes diante dos obstáculos da vida. Além de todos os outros benefícios em relação à saúde e ao estado de bem-estar físico e mental.

Morgana de Oliveira e as amigas que a corrida trouxe
Morgana de Oliveira e as amigas que a corrida trouxe

O que a corrida proporcionou à sua vida? O que ganhou com a corrida, consegue descrever isso?
A corrida levou-me a conhecer o mundo. Através da corrida tive a oportunidade de descobrir lugares aos quais nunca antes tinha imaginado estar. Trouxe-me milhares de amigos e, através da conquista de cada medalha, deu-me a oportunidade de ter a certeza de que, assim como na vida, cada gota de suor vale a pena.
Com a corrida, a mente, a cada prova, fica mais forte e temos a plena certeza de que somos capazes de realizar tudo aquilo que almejamos.

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Mas corre por prazer ou pelo tempo?
Hoje corro por prazer… Como sempre digo aos meus alunos, nunca se esqueça de se divertir ao longo do caminho e de tirar o melhor de cada ciclo de treino, independentemente do tempo na prova. No início é difícil entender que a competição não é com os outros, mas connosco.

Qual a sua distância preferida, a que mais tem prazer em correr?
Com o tempo, as distâncias aumentaram e apaixonei-me pela Maratona. Hoje, é a minha distância preferida. No entanto, acredito que a Meia-maratona seja a distância ideal para conciliar com o dia-a-dia, pois os treinos não são tão desgastantes e é uma distância em que o atleta termina a prova mais inteiro.