Matias Novo é um dos principais fotógrafos de Portugal. Embora não se limite a Corrida (longe disso…), é precisamente na estrada e nos trails, principalmente nos trails, onde conseguimos apreciar o que de melhor o seu olhar tem para oferecer. E é muito o que oferece, como reconhecem os principais alvos da sua máquina, os corredores.

Antes de tudo, como a fotografia surgiu na vida do Matias Novo?
A fotografia surgiu no final de 2011, quando comprei uma máquina ao meu irmão. Através de um amigo, conheci o fotógrafo Carlos Rocha, que me ajudou imenso na fase inicial. O muito trabalho de campo, estudo (era fundamental perceber primeiro como trabalhar com uma máquina cheia de funções e editar as fotografias) e a constante troca de ideias com outros fotógrafos foram os tónicos que precisava para, a partir daí, gradualmente o gosto pela fotografia aumentar, mas também as oportunidades e a vontade de aprender e estudar ainda mais a fotografia.

Mas tinha uma área específica em que gostaria de trabalhar na fotografia?
Sim, precisamente a fotografia desportiva, uma vez que, de uma maneira ou de outra, sempre pratiquei desporto, desde o ensino básico até aos dias de hoje.

Como analisa a fotografia quando começou e agora? Principais mudanças para além da evolução técnica?
 A fotografia está sempre em constante evolução e com isso arrasta também novos gostos fotográficos. Digamos que está bem mais refinada e exigente, o que é, na minha opinião, ago bastante positivo.

Concretamente, o que o Matias Novo procura na fotografia?
O meu foco e objetivos principais são registar fotografias que se tornem intemporais, sempre na procura incessante daqueles momentos muitas vezes invisíveis a olho nu. Ou seja, emoções: dor, alegria, tristeza, preocupação…

Como surgiu a sua ligação ao Mundo da Corrida?
Surgiu através do Miro Cerqueira, que me convidou a fotografar uma prova de Trail. Confesso que, na altura, desconhecia a existência da modalidade. A partir daí nunca mais parei, fotografando todo tipo de desporto um pouco por todo país, mas também em Espanha, sempre com os melhores.

E qual foi e como foi o seu primeiro trabalho nesse mundo?
Comecei com o voleibol em 2012, uma vez que a minha esposa jogava numa equipa local onde aprendi muito. No mundo da corrida comecei precisamente no Trail da Serra D’Arga, em 2013.

Quando teve a consciência de que o Mundo da Corrida faria parte da sua vida profissional na fotografia?
Em 2015, como as coisas estavam a evoluir bem e depois de um ano de ponderação, refleti se deveria de avançar com esta paixão ou simplesmente estagnar. Estagnar, basicamente, era continuar a ter um equipamento de 300 euros; avançar era ter novos equipamentos, uma vez que a minha máquina já estava ultrapassada. Tomei o compromisso de ser eu a poupar o dinheiro que gastaria em cafés ou jantares com amigos para que, se algo corresse mal, não prejudicasse a minha família. Sacrifiquei-me muito, tive muitos dias que me questionei se estava no trilho certo, até porque as dúvidas eram muito mais do que as certezas.
Mas, até ao dia de hoje, garanto que valeu a pena todo o esfoço pelo reconhecimento que felizmente tenho tido, com ajuda de todos que me apoiam e que me dão força extra para fazer mais e melhor, sem nunca me deixar dormir à sombra da bananeira, até porque o mundo continua a rodar.

O Mundo da Corrida é a área que mais gosta do seu trabalho?
O Mundo da Corrida é provavelmente o desporto que mais carinho recebo, contudo, desde o início, tive a perfeita noção de que teria que fotografar outros desportos para ser um fotógrafo mais completo e não me cingir apenas a estrada, aos trilhos e às sapatilhas. Tinha noção de que, para ser um fotógrafo mais completo, teria de procurar outros desportos bem diferentes do Mundo da Corrida, mas com muito em comum, como a competitividade e a emoção, mas também cheios de bons momentos e muita adrenalina, como por exemplo o voleibol, ciclismo, BTT, remo, ténis, provas de obstáculos, entre outros.
A Bikeservice foi a grande responsável por estar muito bem integrado no ciclismo, por exemplo, através dos seus Granfondos e provas BTT, onde sou sempre muito bem tratado e motivado por fazer melhor, algo impossível de esquecer.