Marisa Barros, há dez anos, não tinha noção do que iria alcançar no Atletismo nacional. Hoje, uma década depois, a ex-atleta tem orgulho do que alcançou. Em 2029, apenas espera uma coisa: «Ser feliz!»

Tem noção de como via o seu futuro há dez anos? E hoje, a Marisa Barros vive o futuro que previu no seu passado?
Há dez anos ainda estava bem no começo de um enorme sonho, pois apenas com 27 anos é que consegui dedicar-me ao Atletismo. Já tinha disputado alguns campeonatos, mas ainda estava no início de uma evolução como atleta. Lembro-me que o meu treinador acreditava que eu poderia ser medalhada numa grande competição. Mas, nessa altura, eu não acreditava muito. Hoje vejo as coisas de maneira diferente, não fui medalhada mas lá fiquei muito perto. A verdade é que poderia ter acontecido…
Comecei a ter problemas físicos a partir de 2011 e mesmo assim alcancei coisas lindíssimas. Só gostava de ter sido acompanhada um pouco melhor ao nível de profissionais de saúde… Gostaria de, naquela altura, ter conhecido alguns profissionais que conheço agora, que já apareceram numa fase mais crónica da minha carreira, com mais limitações físicas. Mas, respondendo à questão, eu nunca fui de acreditar em grandes coisas, ia acreditando de acordo com a minha evolução, os meus resultados. Só me via a correr por mais tempo na alta competição.

Nesta década entre estas duas Meias-maratonas, qual foi o melhor e o pior momento da sua carreira?
O melhor momento é complicado de escolher, foram imensos e é difícil a escolha, já que cada Maratona tem uma história.
Já o pior momento foi em 2013, quando, com mínimos para o Mundial de Moscovo, eu e o meu treinador tivemos de tomar a decisão de não irmos pois não consegui preparar do melhor modo a Maratona devido a um problema no joelho. Foi muito duro ver esse Mundial de casa…
Hoje, ao olhar para o passado, acho que merecia não ter tido tantos problemas físicos… Mas sinto-me muito orgulhosa de tudo o que conquistei, da carreira que alcancei e que ninguém acreditou que poderia ter alcançado, a não ser o meu treinador António Ascensão.
Quem acreditaria que, dos 15 aos 27 anos, sem nunca ter representado a seleção nacional como sénior e de ser obrigada a conciliar o Atletismo com a minha vida profissional, de repente alcançaria uma participação nos Jogos Olímpicos após mudar de treinador e de me focar apenas no Atletismo? E logo na estreia?
E quando muitos pensaram que tinha sido “sorte”, logo a seguir corri um Mundial onde fui sexta classificada… E depois quarta nos Europeus. E estive em mais um Mundial, em mais uns Jogos Olímpicos… Ou seja, participei em dois Jogos Olímpicos, dois Mundiais e três Europeus em apenas seis anos, entre 2008 e 2014. E estive em mais um Europeu em 2016. Sim, tive uma boa carreira.

Onde espera a Marisa Barros estar em 2029?
Daqui a uma década espero estar feliz, pois vou estar prestes a fazer meio século. Não sei se estarei a competir, mas espero estar a fazer desporto e ter realizado alguns sonhos a nível pessoal. Também espero, na minha nova profissão, atingir um nível elevado, tal como aconteceu no Atletismo.

A Meia-maratona do Porto terá de esperar mais 10 anos para ter a Marisa Barros na linha da meta?
Acho que não passarei mais dez anos sem correr aqui no Porto, espero poder correr já no próximo ano…

Foto: Objetiva em Movimento