No sábado teremos mais uma edição da Columbus Trail, em Santa Maria, prova organizada pelo Azores Trail Run. No total, mais de 200 atletas oriundos de 13 países. Entre eles o atleta olímpico português Luís Feiteira, que vai fazer a sua estreia no Trail, concretamente na Columbus Half Marathon (23 km).

Como surgiu o convite para correr a Columbus Trail?
Surgiu depois de ter conhecido o diretor e fundador do evento, o Mário Leal.

Mas aceitou de imediato o convite ou demorou alguns dias para refletir sobre o convite?
Aceitei quase de imediato, pois, como não será mais uma simples corrida, tive de pensar um pouco sobre a minha abordagem à modalidade, ainda que seja apenas uma experiência nova.

Alguma vez pensou pela sua cabeça correr uma prova de Trail? Era algo que já pensava?
Confesso que a intenção de um dia experimentar fazer um Trail já me tinha passado pela cabeça, sim.
Um dia destes, num jantar onde tive a oportunidade de conhecer o presidente da ATRP, o Rui Pinho, abordámos de uma forma alargada aquilo que é o fenómeno do running e, mais especificamente, as corridas de Trail em Portugal. A ideia que eu tinha não só se começou a formar na minha cabeça como o entusiasmo também se apoderou de mim, acabando agora por surgir uma hipótese de experimentar.

Qual a distância que vai correr e a justificação para a escolha dessa quilometragem?
Irei correr a distância de Meia-maratona, denominada como Columbus Half Marathon, sendo esta uma distância intermédia à minha especialidade no Atletismo, a Maratona. À partida será mais fácil de gerir algumas dificuldades que com certeza irei enfrentar. Mesmo assim, estou certo de que vão ser muitas… Daí a escolha.

Despois do asfalto, o Trail chegou para Luís Feiteira
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Estrear nos Açores tem o seu quê de significado. Ou não?
Claramente que sim. Foi no arquipélago dos Açores onde eu corri pela primeira vez fora do continente e onde regressei por 10 anos consecutivos para competir, sendo que existem algumas corridas de estrada no arquipélago onde cheguei a ter recordes dos respetivos percursos, como por exemplo o Grande Prémio de Natal, na cidade da Horta, na ilha do Faial, onde o renovei, se não estou em erro, por três vezes seguidas.

Concretamente, o que espera da prova?
Muito concretamente, e com toda a humildade, respondo que espero terminar. Se existe quem pensa que ser bom atleta no Atletismo chega para dominar ou fazer bons resultados em tudo o que são eventos de corrida, esse não serei eu com toda a certeza. Estou ciente de que correr Trail não é para qualquer um! Tentarei ir com toda a cautela e esperar que a experiência que tenho no Atletismo sirva de alguma forma para respeitar, saber e conseguir gerir as dificuldades de um Trail.

Realizou algum treino especial para a prova ou manteve o seu ritmo de treinos habitual?
Não. Neste momento estou a treinar para uma Maratona que espero fazer no mês de abril, caso não volte a ter problemas de saúde ou lesões, como aconteceu em dezembro de 2015 e nos quatro anos seguintes. Estou a fazer uma preparação disciplinada e cautelosa como sempre o fiz, dando prioridade, para já, ao trabalho de força/resistência, que perdi muito. Daí também a intensão da minha abordagem ao Trail.

Como atleta com uma enorme experiência, já deve ter procurado informação sobre o trajeto. O que poderia falar sobre as informações de que recolheu?
Sim, já me tentei inteirar do que me espera. Sobre as informações que recolhi o que posso dizer é que deverei abordar esta experiência com o máximo respeito e humildade, de forma a poder concluí-la. O resto só Deus sabe!
Tal como numa Maratona, nunca sabemos o que irá acontecer, pois são provas de extrema dureza.

Luís Feiteira vai regressar aos Açores, onde foi feliz por diversas vezes
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Qual o seu principal receio (se tem algum)?
Respondo humildemente que já não tenho medos alguns… Deixe-me dizer o seguinte: quem teve o azar de ter de parar de repente aos 5 km duma Maratona (Fukuoka-Japão 2015) sem conseguir respirar, sendo depois assistido e, seguidamente, conduzido ao hospital, onde me dizem com toda a clareza de que acabava de ter um tromboembolismo bilateral extenso, com cerca de 30% dos meus pulmões a funcionar e a qualquer momento podendo apagar-se. «Vamos tentar salvá-lo…», disseram.
Acha que ainda deva ter medos de alguma coisa?…

Não é normal um atleta do seu gabarito incorporar treinos de Trail no seu planeamento. Isso acontece apenas e só pelo medo de uma entorse, por exemplo?
Depende do ponto de vista. No meu caso, como disse anteriormente, ao longo destes últimos anos eu perdi muita massa muscular e, por consequência, muita força/resistência, consistência muscular. Com o enquadrar do Trail no meu planeamento, espero ganhar alguma condição física extra que me possa ajudar a aproximar da performance que tinha, principalmente psicológica e em competição, parte que perdi demasiado, devido aos vários problemas de saúde e lesões que tive, como já disse anteriormente. Reaprender a sofrer em competição, porque o resto eu tenho cá tudo dentro de mim. Os treinos têm-me demonstrado isso.

É um homem de cidade ou da natureza?
Sou 100% natureza. Cresci à beira do Rio Tejo. A minha infância foi dentro de barcos típicos de Tejo, a desfrutar do melhor que a natureza nos pode dar. Adoro o rio, adoro o mar, praia, montanha. Sempre que posso, fujo para lugares onde possa ficar o mais junto possível com a natureza pura.

Depois desta experiência, quais as suas metas para este ano?
Gostaria de o terminar sem mais problemas e de ter podido realizar novamente resultados que me façam continuar a ter o ânimo, a vontade e a teimosia que tenho tido para continuar nesta luta comigo próprio.
Aproveito para dizer ainda que agradeço e espero ainda continuar a merecer toda a confiança que depositam em mim, desde a família, aos amigos diretamente relacionados com o Atletismo e não só. Também aos organizadores dos mais diversos eventos, aos meus patrocinadores, etc.

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