Numa altura em que também o Atletismo vive uma fase menos exuberante, uma das mais importantes associações no país, a Associação de Atletismo do Porto (AAP), vai a votos para o quadriénio 2020-2024, tendo na corrida uma lista apoiada por várias glórias da modalidade, atuais e passadas, e liderada por Leonardo Fernandes, o qual assume, nesta primeira parte de uma entrevista ao Corredores Anónimos que continua amanhã, pretender recuperar o brilho de outrora através de criatividade, formação e, principalmente, da componente de espetáculo.

Comecemos pelo princípio: quais as razões que o levaram a apresentar uma candidatura à Associação de Atletismo do Porto?
Quem ama o Atletismo não pode ficar de braços cruzados perante a degradação da modalidade. A modalidade tem vindo a perder protagonismo e visibilidade, muito por culpa do atraso por não se adaptar aos tempos modernos e à mediatização da sociedade. Desde logo, a necessidade de as associações investirem em novas tecnologias, a urgência em termos resultados em tempo real, assim como transformar as jornadas de Atletismo em algo mais atrativo, juntando-lhe a componente espetáculo, um pouco à semelhança dos grandes eventos (meetings) adaptados à nossa escala. Por outro lado, existe uma necessidade muito grande de dar mais e melhor formação aos nossos técnicos, elevando a qualidade do processo de treino e, consequentemente, uma melhoria nas performances.

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Observando os apoios com que conta, dos quais fazem parte vários nomes de peso no Atletismo nacional, pergunto-lhe: como foi congregar todas estas personalidades? Foi um processo negociado fácil de alcançar, uma comunhão de posições…
Foi muito fácil de alcançar. Não houve negociações, apenas mostramos o que pretendíamos fazer e, de imediato e sem quaisquer contrapartidas, passaram a apoiar o movimento. Como grandes conhecedores da modalidade e da realidade, facilmente ficaram em sintonia connosco, partilhando a necessidade de se introduzir mudanças urgentes na modalidade.

Falando do programa eleitoral, intitulado Clubes e Atletas em Primeiro, de que forma foi elaborado? Quais os pontos que enumeraria como basilares?
Desde logo, a disponibilidade de oferta de formação de qualidade aos treinadores dos clubes que assim o entendam. Depois, os encontros, estágios que pretendemos levar a efeito com os atletas, treinadores, formadores e antigas glórias. Desta forma, queremos que as novas gerações possam encontrar as melhores referências da modalidade, levando-as a acreditar na possibilidade de atingirem elevados patamares. Por outro lado, ajudar a apetrechar os clubes com material de treino, muito reduzido em muitos clubes, sabendo nós que, em algumas disciplinas, o material é muito caro, caso das varas, colchões, alguns dos engenhos dos lançamentos etc.

Alguns dos atletas da Comissão de Honra da Lista B
Alguns dos atletas da Comissão de Honra da Lista B

O aspeto do financiamento é, invariavelmente, um dos pilares fundamentais num projeto a quatro anos como o vosso. De que forma serão garantidos os fundos necessário para a realização dos objetivos? Já têm um orçamento previsto?
Partimos de uma posição onde não temos o conhecimento real das contas. A primeira diligência que faremos caso sejamos eleitos é realizar uma auditoria às contas. Por outro lado, somos acompanhados de pessoas com grande capacidade empreendedora, de criatividade e inovação. Não vamos ficar somente dependentes de dinheiros públicos, procurando parcerias com instituições privadas.

A formação é outros dos aspetos que frequentemente são alvo de discussão, inclusivamente no plano nacional. Que tipo de abordagem prevê para esta área? Com que tipo de ações e investimento?
Sabemos de antemão que temos de aumentar muito o número de atletas praticantes, em particular das camadas mais jovens. Pelos municípios já contactados, obtivemos uma grande abertura e interesse nas nossas ideias. Em primeiro lugar vamos realizar protocolos com as autarquias para dar formação aos professores das AEC`S e professores do 2.º ciclo, do Atletismo jogado. Sabemos que o Atletismo é a base de todos os desportos mas, nos escalões mais baixos, tem de ser administrado de forma divertida e aprazível, demostrando de forma fácil a diversidade da nossa modalidade, onde todas as crianças têm lugar e podem praticar. Por outro lado, criaremos eventos em zonas informais (praças, pracetas, parques, praias, etc.), dando a conhecer à comunidade, aos pais, a diversidade de disciplinas da modalidade, muitas vezes entendida só como corridas.

Já agora, de que forma vê o papel dos clubes, hoje e no futuro, relativamente ao Atletismo? E das autarquias?
Os clubes estão neste momento a passar sérias dificuldades perante este cenário de pandemia, o que vem acentuar ainda mais a necessidade de intervenção e ajuda da federação, associações, confederações. Estamos num período, onde a criatividade, a inovação e o empreendedorismo nunca fez tanto sentido. Quanto às autarquias, tem havido imensas reuniões muito positivas, muito satisfeitas com o nosso projeto. Temos a certeza de que irão ser nossos parceiros privilegiados, ajudando-nos a catapultar novamente a modalidade para outro patamar.

[CONTINUA NA QUARTA-FEIRA]