Jorge Teixeira RunPorto

Hoje em dia um dos principais organizadores de provas em Portugal, das quais faz parte a Maratona do Porto, por exemplo, Jorge Teixeira e a sua RunPorto preparam-se para levar a cabo, já este fim-de-semana, a sua primeira Maratona Virtual Solidária. O evento é também o primeiro passo num esforço de regresso à normalidade, o qual deverá ser feito com «corridas mais pequenas» e «menos participantes», segundo o plano de contingência que o próprio já elaborou, mas que está «à espera de autorização para o colocar em prática».

Começava por perguntar-lhe como surgiu a ideia de fazer uma Maratona Virtual? E, já agora, porquê solidária?
A ideia surgiu numa lógica de não perdermos o contato com a comunidade, de manter a população ativa, assim como a minha equipa de trabalho. A solidariedade está no nosso ADN e as Corridas Virtuais terão sempre esta componente associada, em que a totalidade da inscrição reverterá sempre para uma causa solidária.

É a primeira vez que o Jorge Teixeira e a RunPorto levam a cabo um desafio como este, virtual? E como foi colocar de pé um projeto destes e quais as principais dificuldades?
Nesta fase muito difícil  para todos nós, em vez de estarmos parados e por não sabermos quando voltaremos a organizar corridas na rua, resolvemos colocar de pé este projeto, primeiramente de uma forma experimental, sendo que os próximos já vão ser com classificações.

LEIA TAMBÉM
Ercília Machado: «Maratona Virtual Solidária serve para estarmos juntos a ajudar quem precisa»

E que avaliação faz da adesão?
Estamos satisfeitos com a adesão e os interessados podem se inscrever no site da RunPorto. Recebem um dorsal virtual e, no final de cada participação, enviam para nós o seu resultado para posteriormente receberem a sua medalha de finisher.

Tratando-se de uma empresa como a RunPorto, habituada a organizar todo o tipo de provas, de que forma encara este tipo de provas virtuais? Poderá isto ser um novo modelo de negócio, rentável?
Não penso ser um novo tipo de negócio, nem sequer o estamos a fazer com esse objetivo. Numa primeira fase queremos dar visibilidade aos patrocinadores que sempre nos apoiaram e o principal objetivo é manter as pessoas ativas, sem qualquer sentido lucrativo, até que possamos voltar às corridas tal como as conhecemos.

Falando de provas físicas e numa altura em que Portugal começa a sair do confinamento, como vê os tempos que se aproximam? Acredita que será possível regressar, ainda este ano, à anterior normalidade?
Os tempos que se aproximam serão certamente muito difíceis porque não sabemos quando podemos regressar com as organizações. Estamos a acompanhar a evolução da pandemia esperando autorização superior para podermos voltar, que, a meu ver, irá certamente demorar bastante.

Enquanto um dos mais importantes e experientes organizadores de provas no nosso país, que medidas acha que poderiam ser colocadas em prática para podermos voltar a ter corridas como antigamente?
Fizemos um plano de contingência para a possibilidade de podermos organizar corridas com um conjunto de medidas que, a meu ver, diminuíriam muito o risco de propagação do vírus. Mas, como já disse, estamos à espera de autorização para o colocar em prática. Quanto às corridas acho que virão a ser futuramente como eram antes, afinal estamos perante participantes que, na sua esmagadora maioria, são pessoas saudáveis. Claro que, por agora, é ainda precoce existirem eventos de massas, mas acho que brevemente irão haver corridas mais pequenas com menos participantes e já temos projetos para essas mesmas corridas.

LEIA TAMBÉM
Ercília Machado: «Se nas provas reais já surgiam os ditos batoteiros, as provas virtuais tendem a aumentar esse tipo de atitudes»

Há novidades sobre a Maratona do Porto?
Neste momento adiámos tudo até 30 de setembro, em linha com a proibição do Governo. Estamos a analisar a possibilidade de organizar eventos nos últimos 3 meses do ano, mas com a convicção de que será muito difícil. Decidiremos no no início de junho.

Além de organizadora de algumas das maiores provas de corrida realizadas em Portugal, a RunPorto é também uma empresa. De que forma é que o Jorge Teixeira, enquanto principal responsável pela RunPorto, tem enfrentado os efeitos da pandemia de Covid-19? E de que forma vê o futuro?
O Covid-19 está a criar um enormíssimo prejuízo para a empresa, estamos a enfrentá-lo com calma e determinação, em que o principal objetivo é manter os postos de trabalho. Quanto ao futuro, vejo-o com esperança e com o realismo que qualquer empresário o terá que ver, com calma as coisas voltarão à sua normalidade e regressaremos ainda mais fortes. Por enquanto existem dois importantes itens a cumprir: o primeiro, o da saúde pública; o segundo, o da manutenção dos postos de trabalho.

LEIA TAMBÉM