Ultramaratonista experiente, mas também e principalmente um homem de causas, João Paulo Félix prepara-se para concluir a sua “Volta a Portugal a Correr 2020” com uma última e derradeira etapa, a “Volta a Portugal a Correr – Madeira 2020”, entre os dias 9 e 12 de dezembro. Um desafio, mais uma vez, também em prol da luta contra a violência doméstica. «Nunca é demais sensibilizar», acredita o sociólogo.

Começo por pedir-lhe para nos falar um pouco sobre o desafio “Volta a Portugal a Correr – Madeira 2020”. Como surgiu, em que consiste, quando será, qual o objetivo por detrás…
O Desafio da Madeira é o prolongamento da “Volta a Portugal a Correr 2020” e tem por objetivo levar a “Volta…” para além do continente. Tem uma distância de cerca de 199 km, com uma altimetria de 13 500m (D+) ao longo de 4 etapas, e decorrerá entre os dias 9 e 12 de dezembro. No dia 14 haverá, às 18h30, uma palestra no Sé Boutique Hotel, no Funchal.

Tanto neste desafio, como nos anteriores, a causa da violência doméstica é algo que está presente e que lhe é muito caro. Como surgiu essa preocupação na sua vida?
É urgente travarmos a violência doméstica! É preocupante os números de pessoas vítimas de violência doméstica. Para além do desporto-aventura trabalho como sociólogo na área da supervisão de casas que acolhem crianças e jovens vítimas de maus tratos. Quase todos os dias lido com este tido de problemas. Depois de refletir muito sobre o assunto, concluí que os meus desafios devem ajudar a sensibilizar as pessoas para este tipo de problemas. Para além da sensibilização, tenho conseguido, em conjunto com alguns parceiros, fazer donativos em dinheiro para as instituições que trabalham na área.

Tal como já referiu, a “Volta a Portugal a Correr – Madeira 2020” é também o passo mais recente de uma caminhada já com muitos quilómetros somados pelas mais diferentes latitudes. Quantas destas etapas já cumpriu?
A Madeira é o final da “Volta a Portugal a Correr 2020”. Corri durante 25 dias cerca de 1.300 km em 25 etapas, entre o dias 15 de julho e 8 de agosto. Comecei em Faro, corri até Chaves pela Estrada N2, e depois em direção a Guimarães, Porto, Oliveira de Azeméis, Figueira da Foz, Praia da Areia Branca, Loures e Lisboa (Monumento dos Descobrimentos).

Será este o último desta série de desafios?
Sim, a “Volta a Portugal a Correr 2020” termina na Madeira, mas a “Volta…” arranca novamente a 15 de julho de 2021 (estamos em conversações sobre o local da partida e chegada). O ano que vem vai ter mais quilómetros e mais surpresas. Queremos levar a “Volta…” ao interior do país.
O meu próximo desafio começa a 25 dezembro, às 15h00, e termina no dia 1 de Janeiro, às 15h00. Chama-se “7 dias contra a Violência Doméstica” e está aberto a todas as pessoas, de todas as áreas desportivas ou não, e tem por mote a ideia da superação e sensibilização contra a violência doméstica. Nestes “7 dias contra a Violência Doméstica”, durante as 168 horas, quero apenas fazer paragens técnicas para as questões essenciais (comer, descansar, tratar dos pés, massagens).

LEIA TAMBÉM
Fully Vertical Kilometre: correr 1,9 km em menos de 30 minutos

Entretanto, e ainda antes da “Volta à Madeira”, o João Paulo Félix cumpre aquilo que poderá ser mais uma etapa de preparação, realizando mais uma corrida à volta dos castelos de Portugal. Fale-nos um pouco sobre essa vertente…
No Projeto “6h de Resistência num Castelo de Perto de Si” tenho como objetivo correr uma Maratona à volta de todos os castelos em Portugal. Comecei em janeiro de 2017 no Castelo de Bragança e, neste momento, já corri 635 km, 14 maratonas à Volta de 14 castelos de Norte a Sul do país. É difícil andar por ali às voltas, por vezes num circuito de 1600 metros. Ultrapassar este obstáculo revelou-se ser um excelente treino, sobretudo na área do psicológico.

[CONTINUA NO SÁBADO]