Protagonista da “Volta a Portugal a Correr 2020”, João Paulo Félix prepara-se para a última etapa (este ano…) de um desafio em que soma já mais de 1.300 quilómetros. Uma soma impressionante de um atleta que, depois de se ter apaixonado pela corrida ainda criança, promete continuar a lutar por causas e sonhos. Como é o caso, por exemplo, do projeto há muito desenhado de correr as três maiores estradas do mundo…

A verdade é que, e embora muitos leitores talvez o desconheçam, por detrás de todos estes desafios está um ultramaratonista já muito experiente, não apenas em estrada, mas também no Trail. Conte-nos como e quando foi que se apaixonou pela corrida e como tem sido a evolução até aqui…
A paixão pela corrida vem deste os tempos da escola primária. Aos intervalos fazíamos corridas à volta da escola. Sou um apaixonado pela liberdade e pelo movimento da corrida. Gosto de correr, sentir a minha deslocação no espaço, ir para longe. A evolução está relacionada com o trabalho, com o treino. A entrada nas corridas de longa distância foi muito natural porque gosto muito da ideia da superação.

E quais as provas mais emblemáticas, nacionais e estrangeiras, que já realizou? Houve alguma, em especial, que o marcou?
A participação em provas emblemáticas daria uma lista muito extensa. Tenho a felicidade de ter participado em quase todas. No estrangeiro, em provas oficiais, apenas participei na Maratona de Sevilha (é muito caro ir correr no estrangeiro).
A que marcou foi o Ultra Trail Terras de Sicó, em fevereiro deste ano. Fui correr os 111 km e estava com um problema numa perna. Racionalmente não tinha condições para acabar a prova, as dores eram muitas. Quando deu a partida, correr naquela rua apinhada de pessoas de um lado e do outro fez-me vir as lágrimas aos olhos. Nem um quilómetro tinha corrido, e com o pelotão ainda compacto ao cruzar uma pequena ponte, não vi um poste de ferro e bati com o joelho, causando umas fortes dores. Pensei: «Acabou, não vou conseguir correr mais, nem sequer acabar.» Entretanto, insisti, insisti, a dor foi passando e lá consegui acabar a prova. Fantástico!

Também segundo julgo saber, um desafio que o João Paulo Félix gostaria de concretizar é correr as três maiores estradas do mundo. Pode falar-nos sobre isso?
Sim, continuo a pensar que é possível embora pouco provável. Continuo à procura de apoios. Em janeiro de 2021 vou alargar o meu trabalho a outros parceiros no estrangeiros. Dificilmente uma empresa nacional estará interessada em apoiar um projeto desta natureza.

Regressando um pouco atrás, entre Trail e Estrada, para que lado pende o seu coração? E, já agora, existe alguma prova que ainda tenha hoje como referência a concretizar?
Não consigo responder a essa pergunta. Adoro correr e os dois ambientes são para mim fascinantes e complementares.

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Pode revelar-nos que tipo de treinos faz hoje em dia e com que regularidade?
Para a “Madeira” adotei a seguinte estratégia: durante a semana, correr quatro dias distribuídos da seguinte forma, 2 treinos bidiários (um de 20 km, outro de 10 km), um rolante de cerca de 18 km, outro de cerca 10 km (incluem rampas e escadas) e, nos dias em que não corro, bicicleta e um de descanso à escolha. No final da preparação, e em virtude das medidas de confinamento, não consegui cumprir este plano.

Finalmente, e para quem começa agora ou está ainda numa fase inicial de envolvimento com a corrida, que conselhos deixaria o atleta João Paulo Félix, tanto para o Trail como para as estradas?
Vivam todo o processo com uma grande alegria e que tirem prazer em correr. E tracem objetivos realistas…