Atleta natural de Salvaterra de Magos, João Paulo Félix vai correr 1250 km em 25 dias seguidos. Tudo começa a 15 de julho, em Faro, e, em teoria, termina a 8 de agosto, no Padrão dos Descobrimentos, em Lisboa. A iniciativa, denominada compreensivelmente Volta a Portugal a Correr, tem uma vertente solidária contra a violência doméstica.

Como surgiu a ideia deste desafio?
Comecei a pensar que, em 2020, fazia 50 anos e que portanto seria muito importante conciliar um conjunto de objetivos num desafio: uma ideia de superação ligada à quilometragem da distância, uma causa através da sensibilização da problemática da violência doméstica sob o lema Eu corro contra a violência doméstica e uma homenagem a todos os profissionais de saúde por tudo o que têm feito por nós. Além, claro, de comemorar os meus 50 anos de vida.

Mas quando começou a pensar neste desafio? E como tem sido a sua sustentação?
Comecei a pensar durante a fase de confinamento, já que este desafio é também um hino à liberdade. Em relação aos treinos, tenho conseguido cumprir o plano através de treinos longos de corrida e de bicicleta.

No total correrá 1250 km. Quilómetros suficientes para uma realista Volta a Portugal a Correr?
Sim, vou voltar a correr toda a Estrada Nacional N2, a estrada que atravessa todo o país. Vou correr os 738 km da N2, entre Faro e Chaves. Passo por Guimarães em direção ao Porto, corro em direção ao Sul e acabo em Lisboa, frente ao Monumento dos Descobrimentos pelo elevado simbolismo que tem na nossa história.

Concretamente, como o João Paulo Félix definiu a quilometragem para este desafio de 25 dias?
Antes de tudo queria voltar a correr a N2, que este ano comemora 75 anos.
As etapas têm uma distância média de 50 km.
Estão planificadas da seguinte forma:

  • 1) Faro – Ameixial: 51 km
  • 2) Ameixial – Castro Verde: 44 km
  • 3) Castro Verde – Ferreira do Alentejo: 46 km
  • 4) Ferreira do Alentejo – Alcáçovas: 44 km
  • 5) Alcáçovas – Ciborro: 51 km
  • 6) Ciborro – Ponte de Sor: 63 km
  • 7) Ponte de Sor – Sardoal: 44 km
  • 8) Sardoal – Pedrógão Grande: 55 km
  • 9) Pedrógão Grande – Góis: 43 km
  • 10) Góis – Santa Comba Dão: 55 km
  • 11) Santa Comba Dão – Viseu: 49 km
  • 12) Viseu – Lamego: 54 km
  • 13) Lamego – Vila Real: 39 km
  • 14) Vila Real – Chaves: 61 km
  • 15) Chaves – Vila da Ponte: 50 km
  • 16) Vila da Ponte – Guimarães: 62 km
  • 17) Guimarães – Porto: 50 km
  • 18) Porto – Oliveira de Azeméis: 42 km
  • 19) Oliveira de Azeméis – Vagos: 52 km
  • 20) Vagos – Figueira da Foz: 51 km
  • 21) Figueira da Foz – Praia da Vieira: 46 km
  • 22) Praia da Vieira – Caldas da Rainha: 59 km
  • 23) Caldas da Rainha – Porto Novo: 40 km
  • 24) Porto Novo – Loures: 49 km
  • 25) Loures – Belém (Monumento dos Descobrimentos): 24 km

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Tem nas pernas desafios únicos e diversificados, como a N2 Chaves-Faro, Porto-Lisboa, Tróia-Sagres, etc. No entanto, acredita que este será o mais diferenciado de todos os que já correu atá ao momento?
Sim, este é um desafio muito especial com características muito próprias. Começa logo pela distância: são 25 etapas com uma média de 50 km por dia. É ainda especial porque voltarei a cruzar o país pela N2 e depois ir até ao Sul. Por outro lado, tem uma dificuldade acrescida: estamos a viver um período difícil em virtude da pandemia da Covid 19 e a economia está em baixa, o que dificulta toda a angariação de parceiros e de fundos para custear este projeto.

Dos desafios que já correu, qual o que mais recorda?
O desafio Estrada Nacional N2 a Correr: Chaves-Faro marcou um momento muito especial da minha vida. A ajuda de todos foi extraordinária. Tive o apoio direto de cerca de 100 pessoas, todas a puxar por mim, sempre a incentivar. Todos os dias recebia várias mensagens de apoio.
Já o Porto-Lisboa a Correr: da foz do Douro à foz do Tejo foi muito duro. Foi em Fevereiro de 2018, choveu muito e estava bastante frio. O dia mais ameno foi o da chegada ao Forte S. Bruno, em Caxias. Foi muito especial correr vários quilómetros junto ao mar.

Continua na 3.ª feira

Foto: Gil Xavier