João Andrade, CEO da One Hundred, e Rodrigo Cerqueira, CEO da IDERU LLC, garantem que, na corrida artificial, não há espaço para fraudes e que os corredores têm mesmo de… correr. 

O Campeonato Mundial Artificial Mountain Trail será anual?
João Andrade, CEO One Hundred
– Esta competição será realizada anualmente e planeamos continuar a inovar ano após ano. 

E teremos outras provas semelhantes, embora não um campeonato do mundo?
Rodrigo Cerqueira, CEO IDERU LLC –
  Teremos outras provas artificiais, mas a velocidade do seu crescimento depende de como a comunidade das corridas vai aceitar esta nova maneira de correr. Se a comunidade entender que provas virtuais são limitadas e não podem gerar competição igualitária entre os corredores, então as provas artificiais têm tudo para dominar o mundo.

Além de prémios, sempre algo importante para atrair corredores, o que faria o CEO da One Hundred correr esta prova?
JA
– A prova artificial não é uma corrida que simula a realidade. O atleta tem de correr mesmo! Com o reconhecimento do perfil do atleta, classificação em tempo real e a conversão da altimetria, estão reunidas todas as condições para eu participar na prova. Poder saber a posição dos outros atletas em tempo real enquanto estamos em prova é algo muito interessante que nem sempre acontece nas provas presenciais. Este é também um estímulo interessante. Para além disso, nunca deixaria de participar numa prova pioneira a nível mundial, que apresenta um custo relativamente baixo face ao que oferece e em que mesmo um atleta Ultra pode usar as distâncias mais curtas para um treino mais estimulante. Esta é uma competição bem real e tudo faria para conquistar uma das medalhas de finisher!

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Da sua experiência, cinco conselhos para correr provas virtuais/artificiais?
RC
– As provas artificiais estão apenas a começar. O Campeonato Mundial Artificial Mountain Trail será a primeira prova no mundo a testar esta nova modalidade de corrida, que pode ser considerada uma e-race. Como toda a novidade, os utilizadores irão se deparar com diferentes desafios, alguns nunca encontrados. Preferencialmente, os usuários que escolherem correr provas artificiais e quiserem aproveitar todas as suas vantagens precisam ter em conta o seguinte:

  • correr em lugares com acesso à internet em todo o percurso para acompanharem em tempo real como estão em relação aos outros corredores
  • utilizar o telemóvel com 100% de bateria carregado. Dependendo da distância final da prova, planear o carregamento da bateria enquanto corre
  • calibrar a app antes da corrida. As corridas artificiais contam com um algoritmo de inteligência artificial que aprende como os corredores se movimentam. Ao calibrar a app antes da prova, os corredores “ensinam” ao aplicativo como eles se movimentam quando correm ou a caminham. Dessa forma, os diretores de prova e outros atletas podem ter a certeza de que não houve fraude por parte de nenhum dos corredores
  • fixar o celular de maneira adequada. É muito importante ajudar a app na identificação e medição mais adequada dos movimentos. Por isso, carregar o celular na braçadeira ou nas cintas de peito é muito importante
  • se possível, escolher um terreno parecido com o percurso da prova artificial. Uma das intenções das provas artificiais é proporcionar ao corredor a experiência mais próxima do que seria correr a prova real. Se não for possível, preparar-se para mudar a forma de pensar, pois o corredor não estará a correr o seu percurso habitual. Na verdade, o percurso escolhido representará uma distância e esforço diferentes no plano artificial. Se um atleta corre num terreno sem elevação e a prova artificial possui bastante elevação, é necessário estar preparado para correr muito mais e fazer um esforço muito maior para cumprir a mesma distância

FOTOS: Matias Novo