Hugo Gonçalves, da Furfor Running Team, vai representar o Trail português na Rio FKT Caminho do Imperador a 12 de dezembro, uma prova de 100 milhas (160 km) que decorre neste momento no Brasil. O português está preparado para repetir o que aconteceu na One Hundred – Douro FKT, ou seja, vencer!

Como surgiu o convite para participar na Rio FKT Caminho do Imperador?
Depois da experiência do Douro FKT, queria ter a oportunidade de poder tentar fazer o mesmo no RIO FKT – Caminho do Imperador.
Então decidi submeter a candidatura e, passados uns dias, recebi a confirmação a dizer que fui um dos atletas selecionados.

O que sabe do trajeto? Quais informações já recolheu?
Sei que é um percurso em que maioritariamente é constituído por estradão de terra batida e que a parte mais montanhosa do percurso, onde está o desnível, é mais no final.
Fiz algumas pesquisas sobre o Caminho do Imperador, já falei com o João sobre o percurso e tenho visto com atenção os vídeos que vão sendo publicados nas redes da One Hundred.

E quais as diferenças para o percurso português?
As principais diferenças são no tipo de pavimento, na diferença de altimetria e possivelmente nas condições climatéricas. No Douro FKT só os primeiros 10 km é que eram em terra batida, depois era sempre asfalto. Mais de metade do percurso no Rio FKT é em terra e a outra metade em calçada e asfalto. As condições climatéricas é o mais difícil de prever, uma vez que tanto podem estar uns 40° C como pode haver uma tempestade tropical. E também a humidade é muito elevada.

Qual o objetivo para a prova? Pretende ensinar aos ultramaratonistas brasileiros como se corre em trilhas (kkk)?
O meu objetivo é ganhar e estabelecer um novo recorde do percurso (N.D.R.: neste momenyto, o registo a bater é de 15h46m34)! E não, os ultramaratonistas brasileiros têm muita experiência e portanto eu é que vou aprender com eles (risos).

Hugo Gonçalves vai participar no último fim de semana da Rio FKT Caminho do Imperador
Hugo Gonçalves vai participar no último fim de semana da Rio FKT Caminho do Imperador

Acredita que poderá repetir as 15h00 da One Hundred – Douro FKT. E esse tempo seria suficiente para vencer o desafio na sua análise?
Acredito que sim, que é possível fazer um tempo idêntico ao do Douro FKT ou até mesmo baixar caso esteja num dia bom. No entanto, o planeamento dos tempos e ritmos só vão ser definidos após saber qual o recorde que estará estabelecido até ao dia 12 de dezembro, dia da minha partida.

Conhece alguns dos participantes do evento? O que poderia falar sobre eles?
Ao analisar a lista de atletas selecionados houveram nomes que me chamaram a atenção, como por exemplo o Leonardo Marciel, que, no início do ano, ganhou a famosa BR135, no Brasil, o que demonstra que está habituado a provas de Endurance.

LEIA TAMBÉM
Hugo Gonçalves depois do seu triunfo na Douro FKT: «Estive praticamente 15 dias sem correr»

Qual a importância deste intercâmbio?
Não sei se se pode chamar um intercâmbio. No entanto, para mim, é uma oportunidade muito boa para correr com os melhores atletas do Brasil. Como vou participar nas One Hundred World Series no próximo ano, mesmo sendo em locais diferentes do Brasil, já é uma forma de conhecer por exemplo o tipo de terreno e de clima.

E como vê o Trail em Portugal e o do Brasil? Poderia estar mais próximo em termos de trocas de experiências?
O Trail é uma modalidade que está em largo crescimento em todo o mundo! Nós, em Portugal, temos a sorte de termos excelentes trilhos, clima e organizações, como podemos verificar. Em três anos foram organizados dois campeonatos do mundo, além de organizarmos outras provas muito importantes no Mundo do Trail. Em relação ao Brasil, só conheço a BR135 e agora a One Hundred World Series, que promete revolucionar o futuro da modalidade no Brasil e no mundo. Na minha opinião, deveria haver mais desafios destes géneros, em que as organizações conseguem valorizar os atletas. É o caso da One Hundred, que apresenta prémios nunca antes vistos!
Vou atravessar o Oceano Atlântico para dar luta e tentar ganhar o Rio FKT. Quero aproveitar para agradecer à minha família e amigos, à minha equipa Furfor Running Project, ao meu treinador André Rodrigues e a equipa da One Hundred. Obrigado pela oportunidade.

Estamos juntos e… até já Brasil!