Fábio Antunes, de 28 anos e natural de Santa Comba Dão, correu recentemente 7 maratonas em 7 dias em 7 países, concretamente Suíça, França, Itália, Liechtenstein, Áustria, Alemanha e Luxemburgo. No total, 297,4 km em 36h28m15.

Antes de tudo, um pequeno resumo desportivo do Fábio Antunes? Como a corrida surgiu na sua vida?
Sempre gostei de praticar desporto, desde muito novo. Joguei futebol pelo Santacombadense, futsal pela equipa do Instituto Superior de Engenharia do Porto, pratiquei skateboarding e patinagem de rua, etc. Mas a corrida mesmo só apareceu em 2015. Até 2017 não corria muito, uma ou duas corridas por semana, só para me manter minimamente em forma e lidar com o stress da semana e do trabalho. Criei dois clubes de corrida nas primeiras empresas onde estive em Londres, mas os clubes tinham um caráter mais social e menos competitivo. Só em 2018 é que comecei a treinar com o objetivo de participar em corridas de forma regular e em melhorar os meus tempos. A minha primeira Maratona foi em 2019 (Maratona da Madeira Island Ultra Trail), mas fiz outra nesse ano mesmo ano, a Maratona de Nova Iorque. Estava num bom momento e já pensava em Ultramaratonas, mas com o Covid foi tudo cancelado.

LEIA TAMBÉM
Edgar Matias trocou Londres por Lisboa e acabou por ser o melhor português na Maratona

E como surgiu o desafio 7 Maratonas em 7 Países em 7 Dias?
O desafio surgiu como alternativa a outro desafio para o qual eu me preparava. Este ano não estava a correr muito bem a nível emocional e até fisicamente não começou da melhor maneira. Achei que não iria ter tempo nem motivação para treinar e preparar a logística toda em redor desse desafio pessoal. Então decidi procurar uma prova semelhante na qual não tinha de me preocupar com a logística e planeamento, só teria de treinar. E foi nessa altura que encontrei o desafio Epic Alps Tour 777, organizado pelo Runinhi Club.

Tem conhecimento dos critérios de escolha destas 7 maratonas?
O critério para o desenho destas maratonas passou essencialmente por criar maratonas na zona dos Alpes com vistas encantadoras e em países pelos quais fosse fácil e rápido viajar entre eles. Mesmo assim, ainda tivemos viagens de 4 e 6 horas.

Em termos de percurso, eram provas muito distintas entre si?
Tiveram as suas diferenças, mas não eram completamente distintas. Todas elas tinham uma mistura de estrada e trail, vistas lindíssimas. Só diferiam nos locais e nos ganhos de elevação.

Quais foram os tempos em cada prova?

  • Genebra, Suíça: 4h57m15s (ganho de elevação: 398 metros)
  • Lago de Annecy, França: 5h12m14 (ganho de elevação 352 metros)
  • Bellagio-Como, Itália: 5h11m23 (ganho de elevação: 717 metros)
  • Liechtenstein: 5h16m41 (ganho de elevação: 278 metros)
  • Dornbirn/Bregenz, Áustria: 5h16m41 (ganho de elevação: 523 metros)
  • Constança, Alemanha: 4h14m47 (ganho de elevação: 321 metros)
  • Luxemburgo: 5h27m17 (ganho de elevação: 616 metros)
  • Tempo total: 36h28m15.

No seu conjunto, teve algumas mazelas?
Tive algumas, mas o truque foi fazer sempre uma sessão de alongamentos ligeiros no final de cada dia, massajar as pernas antes de dormir e uma boa dose de gel para alívio da inflamação das articulações.
A hidratação e alimentação, cuidadosamente planeadas para antes, durante e depois de cada Maratona, também foram fulcrais para conseguir superar a prova.
Após cada Maratona, também tentava usar as pernas o mínimo possível. Como inicialmente estivemos na zona dos Alpes, cheguei mesmo a pôr as pernas na água gelada dos lagos no final das maratonas para ajudar na recuperação.

Na quarta-feira, Fábio Antunes revela como foram as suas 7 maratonas, uma a uma, e como conseguiu dar a volta ao pensamento de desistir