No webinar “Os Limites do Corpo e a Ultra-Distância”, esta quarta-feira, entre às 18h00 e 19h30, Ester Alves vai abordar um assunto desconhecido e portanto perigoso no Mundo do Trail. A diretora da Running Academy salienta a importância dos atletas compreenderem e assimilarem os seus limites.

Concretamente, o que será o webinar “Os limites do corpo e a ultra distância”? Acredita que é um tema desconhecido do grande público ou, pelo contrário, conhecido mas olhado com indiferença?
Vamos abordar temas relacionados com a fisiologia do corpo. Os limites reportam-nos para as adaptações agudas e crónicas ao esforço e é sobre estes temas que falamos sempre nos webinar.

Evidentemente que não conhecermos os nossos limites é, de certo modo, perigoso. Como o atleta deve gerir essa situação?
Realmente existe uma enorme falta de conhecimento sobre a fisiologia do nosso corpo. A maior parte dos atletas desconhece mecanismos de adaptação orgânica: a variação da frequência cardíaca, as causas do desconforto muscular após estímulos intensos de treino, as cargas ideais de trabalho e o trabalho complementar necessário para o trail, como gerir o esforço em altitude ou em calor extremo…. Há um desconhecimento geral e perigoso quando falamos de Trail.

E como um atleta conhece o seu limite? Quais as variáveis que deve ponderar?
Estamos a promover uma série de formações online e webinar com fisiologistas, académicos e médicos para esclarecer e levar o conhecimento a atletas e treinadores. Preocupamo-nos principalmente com a falta de conhecimento dos treinadores na área da fisiologia. Os atletas de Trail nacional estão entregues a treinadores com alguma experiência prática mas sem capacidade de análise teórica. Isto é preocupante porque a prescrição de treino implica avaliação física individual e a compreensão de mecanismos orgânicos de adaptação ao esforço.

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Mas acredita que há muitos atletas que conhecem os seus limites mas, mesmo assim, acabam por o ultrapassar?
Muitos atletas treinam com base em tabelas de orientação geral e perdem a noção da sua evolução. Treinam para sobreviver a provas e para chegar à meta, mas não fazem ideia do seu estado físico e se evoluem ou não. Nestas condições é muito fácil cometer erros, ultrapassar limites e chegar perto dos “limites”.

A avaliação física e o exame médico desportivo é fundamental para o atleta conhecer o seu limite? E o limite é finito? Ou há um espaço seguro para a sua elasticidade?
É fundamental avaliar atletas para perceber a sua capacidade de evolução, para saber de que ponto devem começar a trabalhar e qual a sua capacidade de recuperação. Falamos de limite de capacidade se recebermos estímulos de esforço para os quais não treinamos. Por exemplo: fazer 100 km sem nunca ter corrido mais de 50 km/semana regularmente. E são os treinadores que devem trabalhar mais para que os atletas não cometam erros de maior dimensão.

A Ester Alves considera que o limite do corpo é mais exigido na Ultra-distância e portanto mais perigoso no Trail? Ou é o mesmo numa prova de 10 km, por exemplo?
Como dizia Hoffman, «a Ultra-distância é excelente para estudar os processos de adaptação física e orgânica ao esforço».
Vamos ter uma formação dedicada só à Ultra-distância e digo-lhe que a parte da fisiologia e processos de adaptação é muito extensa e complexa.

Em relação a estes webinares, foram criados devido ao estado que estamos a viver? E como está a decorrer? Estão surpresos com a recepção dos mesmos?
Os webinares surgiram de uma boa parceria da Sapienta Sports, que é uma escola de formação para atletas e treinadores. Todas as formações têm a certificação do IPDJ e todos os formadores são académicos e pessoas da Ciência. Nesta fase, estamos dedicados em criar formações de corrida e Trail acessíveis a todos, com a mais-valia de permitir aos treinadores adquirir unidades de crédito para a sua certificação profissional.
Temos tido excelentes surpresas e muitos atletas e treinadores estão a aderir às formações. Assim que passar a fase de desconfinamento e afastamento social vamos passar às formações presenciais.

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