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Ester Alves foi a grande vencedora da The Coastal Challenge 2016, na Costa Rica, a sua primeira prova por etapas. Nesta entrevista, a portuguesa recorda momentos especiais da corrida, dá conselhos e confessa a sua admiração por ter ganho a prova, sensação que apenas sentiu quando faltavam 200 metros para o final da corrida.

 

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Ficou surpresa com o triunfo final?
Sinceramente, fiquei… Além de não saber como iria reagir o meu corpo na recuperação, tinha excelentes corredoras na prova. O certo é que o duelo foi mais próximo com a vencedora da Maratona das Areias 2015, a Elizabeth Barnes. Destacamo-nos das restantes ao terceiro dia de prova porque a nossa recuperação foi mais eficaz. Aliás, posso dizer que, a cada dia, sentia-me mais aclimatada e adaptada ao clima.

Logo na primeira etapa alcançou um segundo lugar. No final dessa etapa pensou isto, por exemplo: «Olha, se calhar posso ganhar!»?
Nunca pensei isso, até porque a etapa mais longa era a penúltima e tudo podia acontecer. Além disso, a Elizabeth Barnes é muito mais forte do que eu em plano. Basta dizer que tem 2h39 na Maratona de Estrada.

ester1E nos seus melhores sonhos imaginou que poderia ganhar depois as cinco etapas seguintes, como acabou por acontecer?
Em ambiente competitivo, nunca pensamos nesses termos. Eu só assumo a vitória nos últimos 200 metros antes da linha de chegada… Já perdi provas a essa distância da meta.

Poderia resumir as seis etapas?
A primeira etapa foi rolante e de adaptação ao clima. A segunda foi bem mais técnica, o que permitiu ganhar vantagem sobre a primeira atleta da geral. As terceira e quarta etapas foram por floresta, com vários tipo de percurso, desde técnico a rolante… Foi uma constante procura por ganho de minutos. A quinta etapa foi a decisiva para garantir uma distância confortável em relação à Barnes. A sexta foi a etapa da consagração, em que corremos todos juntos em jeito de brincadeira.

Quais as principais dificuldade que sentiu?
Acima de tudo, o calor, o desnível e a recuperação, que tinha de ser eficaz e rápida.

E os momentos que recorda ainda hoje?
Um dos momentos mais especiais foi o chegar à meta na segunda etapa: um caminho de 200 metros. Ao fundo estava o Carlos Sá sentado numa cadeira, a gritar: «Despacha-te, só termina aqui!» No fundo, ele sabia que o meu tempo de contagem só terminava ali onde ele estava… Os meus joelhos já vacilavam e tremiam de cansaço, mas acelerei para terminar mais rápido… O cansaço abundava no corpo, mas a mente ia cheia de força. Obrigado, Carlos!
Outro dos momentos especiais foi quando, no final da primeira etapa, o médico da organização disse que a tendinite que tinha no pé direito tinha danificado o meu tendão de Aquiles e que este teria perdido muita elasticidade…
Fui ter com o Carlos Sá e disse-lhe:
«O médico disse-me que, embora o tendão estivesse já com necrose, não deveria forçar muito….»
Ele respondeu:
«Tu só tens de forçar 12 minutos, só 12 minutos para liderares a geral»
Na altura tinha sete minutos de diferença para a Barnes. São estas palavras e a força daqueles que levamos no pensamento que nos tornam mais fortes…

Como definiria a concorrência? Conhecia alguma atleta em concreto? E como as suas adversárias olharam a sua performance, já que fez a sua estreia na prova?
A nível dos homens, tínhamos o Iain Washone, especialista nesta prova e que acabou por ser o vencedor, o Gonzalo Calisto (quinto no UTMB 2015), o Chema Martinez (um dos melhores ultra maratonistas de Espanha, etc. Tantos outros que o Carlos Sá teve de enfrentar…
A nível feminino, tinha um lote de utramaratonistas, a maior parte das atletas participaram em provas como a BadWater e a Western States, além da grande Elizabeth Barnes, vencedora da Marathon des Sables em 2015.

Prefere este tipo de provas ou provas de apenas um dia?
No final, concluí que tenho de fazer mais provas por etapas. Recupero bem e suporto o desconforto do «dia seguinte em corrida»

Em termos de organização, o que achou da prova?
A prova é excelente, com percursos variados. Em termos organizacionais, eles transportam as nossas bagagens para os diferentes pontos de chegada da floresta tropical, fornecem alimentação e a segurança necessária para os atletas.

Como “venderia” a The Coastal Challenge a um atleta que estivesse interessado em correr a prova em 2017?
Quem pretende um desafio de etapas é sem dúvida uma prova a fazer: muito dura, com muito calor, mas bem organizada. Os restantes atletas disseram que a Coastal foi sem dúvida a prova da vida deles pela exigência, organização e magia da selva tropical…

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E que conselhos daria em termos de preparação específica para a prova, o que é essencial ter em conta?
É essencial consolidar bem a distância da Maratona: fazer muitos treinos entre os 30-35 km e se sentir segura nessa distância.

O que achou da Costa Rica?
É o paraíso da biodiversidadde animal e vegetal…. Um verdadeiro paraíso!